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10/08/2010 - 13h01

EUA devem puxar desaceleração global, mas sem recessão

Por Ross Finley

LONDRES (Reuters) - As maiores economias do mundo, lideradas pelos Estados Unidos, irão desacelerar no restante do ano, mas existe apenas uma pequena chance de retorno à recessão, mostrou uma pesquisa da Reuters com 250 economistas.

O resultado da pesquisa, realizada após dados mostrarem corte de empregos nos EUA, são surpreendentemente otimistas dadas as expectativas de que o Federal Reserve anuncie nesta terça-feira novas medidas para estimular a economia.

A maioria dos analistas e investidores está confiante de que o crescimento robusto de economias emergentes como Índia e China amortecerá o impacto de uma brecada da economia dos EUA.

Também há um alívio com a crise soberana da zona do euro. Gerada em Atenas mais cedo neste ano, a crise não tomou as proporções que muitos temiam, e outros países menores parecem ter escapado do destino da Grécia.

A pesquisa da Reuters estima que há uma chance de 15% dos EUA retornarem à recessão, mesma porcentagem da sondagem realizada há um mês. Porém, dois terços dos analistas reduziram suas previsões de crescimento para o país na segunda metade do ano.

A mediana das projeções estima que a economia norte-americana crescerá 2,9% em 2010 como um todo, da projeção anterior de 3%. Foi prevista expansão de 2,7% para 2011, de 2,8% na pesquisa anterior.

"O risco de uma recaída na recessão é material, mas o resultado mais provável é o que nós conseguiremos evitá-la", disse o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, em comunicado aos clientes.

Na zona do euro, onde dados recentes tem sido mais fortes, levando o euro a máximas em três meses, a chance de retorno à recessão caiu para 15%, de 20% na pesquisa do mês passado.

Para a Grã-Bretanha, que enfrenta o maior corte de gastos estatais em gerações, a pesquisa mostrou que a probabilidade da economia retornar à recessão se manteve estável, em 20%.

A economia japonesa deve registrar um ritmo modesto de crescimento até o ano que vem, mas o problema da deflação não deve diminuir em breve.

As perspectivas de alta das taxas de juros no curto prazo são remotas. O Fed não deve elevar os juros norte-americanos em pelo menos um ano, assim como o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão.

POUCOS EMPREGOS NOVOS

O que continua sendo o maior desafio para essas economias é o desemprego. A retomada após a profunda recessão de 2008 e 2009 não é forte o suficiente para deixar as empresas confiantes e fazer com que elas contratem de volta os trabalhadores demitidos.

Com a perspectiva de crescimento reduzida e os governos e bancos centrais obrigados a usar as últimas ferramentas restantes de estímulo à economia, parece claro que o desemprego continuará sendo um importante desafio econômico nos próximos meses.

Isso também deve limitar o gasto do consumidor, algo fundamental para o crescimento econômico, especialmente na economia dos EUA.

"Com o impulso de fundos de estímulos acabando e a possibilidade de estímulos fiscais adicionais vindas do Congresso se tornando menos provável, a questão agora é se a demanda privada pode assumir o que o governo deixou", disse David Wyss, economista-chefe da Standard & Poor's.

"Nós esperamos que a recuperação continue, ainda que em um ritmo lento."

A inflação deve continuar controlada na zona do euro e nos EUA, dando espaço para as autoridades monetárias manterem as taxas de juros nas mínimas recordes, enquanto a deflação deve persistir no Japão.

A exceção é a Grã-Bretanha, onde a inflação está bem acima da meta de 2% do banco central e não deve cair abaixo desse ponto no horizonte previsto.

(Sondagem da Unidade de Pesquisa de Bangalore; reportagem adicional de Chris Reese em Nova York, Kaori Kaneko em Tóquio, Jonathan Cable e Andy Bruce em Londres)

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