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11/08/2010 - 15h14

Suzano discorda de queda no preço da celulose, mas segue mercado

SÃO PAULO (Reuters) - A redução nos preços da celulose para o mercado internacional em julho surpreendeu a Suzano Papel e Celulose, mas, mesmo assim, a companhia seguiu a sua principal concorrente, a Fibria, e diminuiu seus valores em 50 dólares por tonelada a partir de 1o de agosto.

O presidente da companhia, Antonio Maciel Neto, não vê fundamentos para uma nova redução de preços, mas admite que, se a concorrente decidir pelo novo movimento, será preciso novamente acompanhar.

"Ficamos surpresos com o movimento em julho porque os estoques continuam baixos. Não vimos muitos fundamentos", disse o executivo em coletiva de imprensa sobre os resultados do segundo trimestre de 2010.

Com a redução nos preços, o valor da tonelada do insumo para a América do Norte está em 900 dólares, para a Europa está em 870 dólares e para a Ásia, em 800 dólares.

Maciel, que com a saída de André Dorf para o comando da Suzano Energia Renovável acumula interinamente o posto de diretor de relações com investidores, afirmou que há cerca de 4 anos e meio, desde que assumiu a presidência da empresa, nunca viu um cenário de redução de preços com estoques baixos.

A companhia não divulga os próprios estoques, mas os volumes globais estão na média de 25 dias. Durante a crise financeira, os estoques chegaram a 60 dias, afirmou.

"Uma nova redução vai depender do mercado. Mas se (os concorrentes) baixarem, teremos que baixar", disse Maciel, afirmando que os clientes solicitaram a mudança no preço após verem as outras empresas oferecendo o corte.

Mas se o cenário para os preços da celulose é instável, o mesmo não acontece com o segmento de papéis. No segundo trimestre de 2010, o preço líquido médio, tanto no mercado interno quanto no externo, foi de 2,123 mil reais por tonelada, valor 4,5 por cento superior ao primeiro trimestre e 3,2 por cento maior que o mesmo período do ano passado.

"Não vemos muitas oscilações neste mercado", disse o presidente.

NOVO ORÇAMENTO

O presidente da Suzano afirmou ainda que nas próximas semanas a companhia deverá divulgar um novo valor de investimentos para o projeto de expansão, que prevê três novas fabricas e a ampliação da produção na unidade de Mucuri (BA).

Quando anunciou o projeto, a Suzano estimava em 1,8 bilhão de dólares o investimento em cada unidade industrial, desconsiderando os gastos com florestas.

"O cenário em 2008 (quando o projeto foi anunciado) era bastante diferente do atual", diz Maciel. De acordo com ele, a compra de equipamento para a unidade do Maranhão, que deverá entrar em operação em 2013, será feita no início de 2011.

Para a unidade do Piauí, a compra será no começo de 2012 e a previsão é de que esta fábrica comece a produzir celulose em 2014.

Sobre a terceira fábrica do projeto de expansão, o local ainda não está definido, "assim como a expansão em Mucuri".

"O mercado macro continua instável... mas a terceira fábrica e Mucuri constam no plano 2024", diz Maciel. Em 2024 a Suzano completa 100 anos.

(Por Carolina Marcondes)

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