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16/08/2010 - 17h22

TAM vê aval de reguladores para Latam; ações esfriam

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - Os principais executivos da TAM mostraram confiança nesta segunda-feira de que os reguladores irão aprovar a união com a chilena LAN.

Depois de uma reação entusiasmada de investidores ao negócio na última sexta-feira, as ações da TAM acabaram sucumbindo à realização de lucros nesta sessão, em um movimento também de arbitragem com os papéis da LAN.

"Estamos muito confiantes de que a operação atende a todo o arcabouço legal brasileiro do setor de aviação civil", disse o presidente da TAM S.A., que controla a TAM Linhas Aéreas, Marco Antonio Bologna, em teleconferência com analistas.

As duas companhias divulgaram no final da semana passada acordo envolvendo troca de ações para formação da Latam Airlines. A empresa combinada seria a 11o no ranking mundial em passageiros, com receita de 8,5 bilhões de dólares. As sinergias que serão colhidas pela união são estimadas em 400 milhões de dólares .

A expectativa é de que o negócio seja concluído em um prazo de seis a nove meses. De acordo com o diretor financeiro da TAM S.A. e presidente da TAM Linhas Aéreas, Líbano Barroso, trata-se de uma previsão realista, com base em outras transações do tipo já realizadas entre empresas aéreas.

"Nosso cenário é que, com certeza, isso será aprovado. É claro que a decisão não é nossa. Mas tomamos o cuidado de cumprir toda a legislação e temos tido assessores de muita qualidade no processo", disse Barroso.

Os papéis preferenciais da TAM encerraram em queda de 0,50 por cento na bolsa paulista, a 36,02 reais, tendo registrado alta de 11 por cento na máxima dos negócios, logo após a abertura. O Ibovespa terminou valorizado em 0,66 por cento.

Na sexta-feira, essa classe de ações da companhia aérea brasileira exibiu valorização de quase 28 por cento.

Apesar de a ação da TAM estar distante do valor de 43 reais calculado por analistas para o negócio com a LAN, profissionais do mercado classificaram o movimento desta tarde como de realização de lucros, em virtude da forte alta na sessão anterior. "Além disso, agora vai ter arbitragem com o preço dos papéis da LAN", observou um analista, que pediu para não ser identificado.

Pelo acordo firmado entre as empresas aéreas, a LAN oferecerá 0,9 nova ação por cada ação da TAM. A empresa chilena será então rebatizada de Latam Airlines, listada nas bolsas de Santiago e Nova York e com recibos de ações (BDRs) na Bovespa.

As ações da LAN em Santiago também abriram o dia em forte alta, com avanço máximo de 14,4 por cento, mas terminaram com ganho de 1,47 por cento.

Bologna considerou as oscilações naturais, porque a operação ainda depende de autorizações para ser concluída.

"A relação de troca tem um prêmio implícito. O que o mercado está fazendo, neste momento, é uma avaliação desse negócio. Vamos ter volatilidade ao longo do tempo", disse Bologna à Reuters, por telefone, no final da tarde.

CVM INVESTIGA

A presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, afirmou que a autarquia já começou a investigar a forte alta dos papéis da TAM após notícia veiculada pelo portal Exame, antes da publicação do fato relevante.

"Estamos investigando. Toda oscilação que precede a divulgação de uma informação relevante é sempre seguida de uma análise da CVM", disse após participar de um evento da Câmara Americana do Rio de Janeiro.

Bologna afirmou à Reuters que assim que a TAM detectou o vazamento do negócio, solicitou às bolsas de São Paulo e de Nova York a suspensão dos negócios com ações da companhia. "Posso garantir que não houve nada que partiu da nossa empresa", disse.

FUSÃO OU COMPRA?

Pelos termos do acordo entre as companhias aéreas, a família Amaro --controladora da TAM-- terá 13,5 por cento da Latam, mas ainda seguirá com 80 por cento das ações com direito a voto na TAM Linhas Aéreas, que será uma subsidiária de capital fechado da holding.

A família Cueto, atual acionista majoritária da LAN, ficará com 24,1 por cento da Latam.

Haverá um acordo de acionistas no bloco de controle determinando igual poder de voto para as duas partes. Cada uma das famílias terá dois membros no Conselho de Administração, de um total de nove integrantes.

Conforme a TAM, seus atuais acionistas minoritários ficarão com 15,8 por cento da Latam. Os minoritários da LAN, por sua vez, ficarão com 46,6 por cento do capital total do novo grupo.

Para a corretora Link, a unificação das empresas "na verdade é uma aquisição por parte da LAN e só não pode ser colocada deste modo devido à questão do limite do capital estrangeiro" em empresas aéreas no Brasil.

Pelas regras do setor aéreo brasileiro, as companhias aéreas nacionais não podem ter mais de 20 por cento do capital votante nas mãos de investidores estrangeiros.

(Reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal; Elzio Barreto e Silvio Cascione)

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