UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

16/08/2010 - 18h44

Exportando 50% da carne do Brasil, JBS vê mais espaço nos EUA

SÃO PAULO (Reuters) - O JBS fechou o segundo trimestre respondendo por 50 por cento das exportações de carne bovina do Brasil, uma participação que limita crescimento dessa fatia no futuro, e prevê maiores possibilidades de avanço nos Estados Unidos, especialmente com sua unidade de frangos.

A avaliação foi feita nesta segunda-feira pelo presidente do JBS, Joesley Mendonça Batista, em teleconferência a analistas para comentar os resultados divulgados na noite de sexta-feira. A empresa teve lucro líquido de 3,7 milhões de reais no segundo trimestre de 2010, contra 125,9 milhões de reais no mesmo período do ano passado.

"No Brasil chegamos a 50 por cento no market share... saímos de 37 para 50 por cento... Nos EUA, tem bastante ainda a aumentar... A Pilgrim's (Pride) tem um forte plano de retomada, a gente já anunciou a reabertura de três plantas, temos mais duas para serem reabertas...", declarou.

Para o segundo semestre, Batista disse que, no geral, a empresa prevê exportar um "pouco mais" que no primeiro semestre.

Com um crescimento de 37 por cento nas exportações no segundo trimestre ante o período anterior, para 2,3 bilhões de dólares, os resultados financeiros do JBS foram impactados negativamente pela elevada demanda de capital de giro atrelada às vendas externas, além da volatilidade cambial.

As exportações do JBS responderam por 29 por cento da receita total da companhia, de 14 bilhões de reais no segundo trimestre.

O presidente do JBS USA, Wesley Batista, destacou a força das operações norte-americanas, com a retomada de mercados importantes, como a Coreia do Sul.

"A gente acha que o crescimento da demanda não necessariamente vai estar nos EUA ou Europa, vai estar na Rússia, no Oriente Médio... o crescimento de exportação vai continuar, a gente verá volumes maiores trimestre contra trimestre."

A empresa anunciou ainda já ter capturado sinergias importantes após as aquisições no ano passado da Bertin e Pilgrim's, estimadas em 154 milhões de reais e 150 milhões de dólares, respectivamente.

AQUISIÇÕES

Joesley afirmou que na medida em que o mercado se acalma a empresa começa a analisar novas negociações para expandir a sua plataforma global de distribuição direta, uma meta da empresa para ganhar margens nos negócios.

Mas, sobre aquisições de porte, o presidente do JBS afirmou que a companhia não está em nenhum processo de negociação.

"Caso o mercado venha a ver aquisição relevante, vai ser onde já operamos... nosso foco tem sido realmente consolidar o que temos e não pretendemos iniciar em outra plataforma."

INALCA

Sobre um processo de arbitragem que a companhia pediu em relação a discordâncias com o sócio da Inalca, na Itália, Joesley afirmou que o JBS não está conseguindo exercer o seu direito de ter acesso às finanças da empresa.

"Eles (sócios) têm direito de indicar o CEO, e nós o CFO, o financeiro seria conosco, contabilidade, auditoria interna... mas o grande problema lá é que eles não deixam o cara trabalhar...", afirmou.

"Por cautela decidimos não incorporar no balanço os resultados da Inalca, não aprovamos o balanço do trimestre passado, e não vamos aprovar... enquanto não deixarem a gente olhar a contabilidade."

(Por Roberto Samora)

Hospedagem: UOL Host