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16/08/2010 - 14h50

Preço elevado da celulose garantirá expansão da Fibria

SÃO PAULO (Reuters) - A expectativa de manutenção dos preços da celulose em patamares elevados como os atuais, mesmo diante de uma redução de 50 dólares por tonelada neste mês, faz com que a Fibria se sinta "confortável" para iniciar a operação da segunda linha de produção de Três Lagoas (MS) em 2014.

Na manhã desta segunda-feira, a Fibria anunciou que retomou os estudos para que o chamado "Projeto Horizonte II" entre em operação dois anos antes do previsto, em 2014, com investimentos de 5,8 bilhões de reais.

"O projeto industrial virá somente em 2012, mas isso vai depender da situação do mercado... Se o preço da celulose continuar mais ou menos como está hoje, a Fibria se sente confortável para fazer esse investimento e não se preocupa com a questão do endividamento", disse o presidente da companhia, Carlos Aguiar, em teleconferência com jornalistas sobre os resultados do segundo trimestre.

Atualmente, os preços da celulose por tonelada estão em 900 dólares para América do Norte, 870 dólares para Europa e 800 dólares para a Ásia.

Com a manutenção dos estoques de celulose em níveis baixos e os bons fundamentos para o setor, a tendência é de que os preços do insumo sejam mantidos nos atuais patamares até o final deste ano, disse Aguiar.

Conforme o presidente da Fibria, é possível que o investimento na nova fábrica em Três Lagoas seja 60 por cento financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e 40 por cento proveniente de caixa próprio.

"Inicialmente, o cronograma (da nova fábrica) prevê que sejam efetuados em 2010 todos os contratos de arrendamento... Durante 2011 vamos fazer o plantio nessas áreas arrendadas e iniciar os estudos de viabilidade do projeto industrial e a contratação da primeira equipe de estudos da nova fábrica."

Sobre a possibilidade de venda da unidade de papéis de Piracicaba (SP) ou da metade do Consórcio Paulista e Papel e Celulose (Conpacel), cuja outra metade pertence à Suzano, Aguiar apenas reiterou que "a Fibria está aberta a ouvir qualquer proposta", mas que não existe nenhuma decisão a respeito de venda desses dois ativos.

"PÁGINA VIRADA" PARA DERIVATIVOS

Após perdas com derivativos por parte da Aracruz Celulose que fizeram com que a Fibria já nascesse com uma dívida de mais de 10 bilhões de reais, a companhia afirma agora adotar uma política "absolutamente conservadora" na área financeira.

"Uma vez liquidada a operação, temos uma operação meramente de proteção à (oscilação da) moeda estrangeira", disse Aguiar.

No segundo trimestre, a Fibria liquidou o saldo remanescente da dívida com derivativos, em valor total de 511 milhões de dólares.

A companhia encerrou o segundo trimestre com dívida bruta de 13,209 bilhões de reais e dívida líquida de 10,846 bilhões de reais, reduções de 18 por cento em relação ao mesmo período do ano passado para os dois indicadores. Além da questão dos derivativos, a alta dívida da companhia é justificada pela compra da Aracruz pela então Votorantim Celulose e Papel

(VCP).

A relação entre dívida líquida e geração de caixa, que era de 7,2 vezes no segundo trimestre de 2009, agora é de 4,7 vezes.

As ações da Fibria subiam 1,64 por cento às 13h46, a 29,16 reais. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 0,7 por cento.

(Por Carolina Marcondes)

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