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17/08/2010 - 17h38

De olho no BC, mercado segura dólar acima de R$1,75

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O receio de uma intervenção mais firme do governo freou a queda do dólar nesta terça-feira, mantendo a taxa acima de 1,75 real mesmo com o ambiente favorável no exterior.

A moeda norte-americana terminou a 1,755 real, em queda de 0,11 por cento.

Enquanto o mercado de câmbio fechava no Brasil, o índice de ações Standard & Poor's 500 avançava 1,6 por cento em Nova York e o índice Reuters-Jefferies de commodities subia 0,8 por cento. Resultados de importantes varejistas norte-americanas acima das expectativas davam esperança a investidores de que a retomada global pode ser mantida.

A cotação de 1,75 real tem sido vista por analistas como um patamar sensível a mais intervenções do Banco Central. Abaixo desse nível, a autoridade monetária fez dois leilões por dia em algumas sessões entre abril e maio e sondou bancos sobre uma possível oferta de swap cambial reverso.

Nesta sessão, o BC comprou dólares mais cedo que o habitual, entre 12h09 e 12h19, e deixou em aberto a possibilidade de uma segunda operação durante a tarde.

"Gera uma certa apreensão no mercado para apostar contra o dólar a partir desse nível, o que acaba oferendo um suporte muito forte para a moeda americana", disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe da corretora CM Capital Markets.

A pressão externa pela queda do dólar, no entanto, tem sido mais forte nos últimos dois dias. Após diminuir suas posições vendidas no mercado futuro e de cupom cambial (DDI) a 4,8 bilhões de dólares nos primeiros dias do mês, os investidores estrangeiros recompuseram essas posições a 6,1 bilhões de dólares na segunda-feira.

Para Rostagno, o que pode determinar a quebra do patamar de 1,75 real é o comportamento do fluxo de dólares para o país, que ficou positivo nas últimas duas atualizações semanais feitas pelo Banco Central.

"Com essa expectativa com a capitalização da Petrobras, talvez a gente tenha força suficiente para romper esse suporte", disse, em referência à bilionária oferta de ações programada para setembro.

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