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17/08/2010 - 09h25

Minério de ferro volta a ser o vilão da inflação--FGV

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 17 de agosto (Reuters) - Com um aumento de 13,72 por cento, o minério de ferro respondeu por cerca de 65 por cento da taxa do Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) de agosto , que subiu 0,46 por cento, após variação positiva de apenas 0,05 por cento ante julho, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira.

Analistas ouvidos pela Reuters previam uma alta de 0,46 por cento, segundo a mediana de 10 respostas que entre 0,22 e 0,57 por cento.

"O minério pesa 4,5 por cento do total da inflação atacadista, que responde por 60 por cento do total do IGP-10. Se fosse excluído o minério, a inflação no atacado teria subido 0,14 por cento em agosto", disse o economista da FGV André Braz.

Esse movimento reflete o reajuste trimestral da mineradora Vale, mas para Braz, "não há risco de contágio ou repasse para os (outros) preços.

Já a elevação da soja no atacado, de 9,48 por cento, respondeu por cerca de 35 por cento da alta do IGP-10 em agosto e, segundo Braz, tem um potencial de contágio maior na economia, o que já foi notado em agosto por meio de aumentos nos custos de óleo de soja bruto e óleo de soja refinado.

O trigo, com queda menor entre julho e agosto, é outro produto que preocupa a inflação, em razão da quebra de safra na Rússia. No atacado, o preço passou de queda de 2,27 por cento para baixa de 0,91 por cento.

Assim, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve avanço de 0,75 por cento em agosto, ante oscilação positiva de 0,02 por cento em julho.

O IPA agrícola subiu 0,22 por cento nesta leitura, após alta de 0,15 por cento na anterior. O IPA industrial teve elevação de 0,92 por cento, ante queda de 0,01 por cento no mês passado.

As maiores altas individuais de preços no atacado foram de minério de ferro (de 13,72 por cento após queda de 0,54 por cento no mês anterior), soja em grão, bovinos, aves e farelo de soja.

No entanto, Braz acha que o IGP-10 de setembro deve ser menor do que o apurado em agosto, porque os preços no atacado podem subir menos no próximo mês. "A possibilidade de uma taxa menor realmente é grande. O impacto do minério deve ser menor", afirmou ele.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caiu 0,31 por cento em agosto, após baixa de 0,17 por cento em julho.

Os custos de Alimentação declinaram 1,55 por cento, ante recuo anterior de 1 por cento.

Os principais recuos individuais de preços no varejo foram de batata-inglesa, mamão papaia, tomate, leite longa vida e cebola.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,35 por cento em agosto, abaixo da alta de 0,72 por cento de julho.

O arrefecimento partiu do item mão de obra, com elevação de 0,29 por cento agora, ante 0,78 por cento em julho, quando foi pressionado pelos dissídios salariais da categoria.

No ano, o IGP-10 acumula alta de 6,09 por cento e nos últimos 12 meses, de 6,57 por cento.

(Reportagem de Vanessa Stelzer e Rodrigo Viga Gaier)

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