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19/08/2010 - 18h20

Dólar sobe ante real após dados fracos nos EUA

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar brecou a série de quatro quedas seguidas e fechou em alta nesta quinta-feira, afastando-se do piso de 1,75 real em uma sessão de bolsas em queda e aversão a risco no exterior.

Alguns profissionais de mercado também citaram, no Brasil, a preocupação com a oferta de ações da Petrobras e com um possível aumento da intervenção do governo no mercado de câmbio como motivos para a valorização do dólar.

A moeda norte-americana terminou o dia a 1,757 real, em alta de 0,23 por cento. Enquanto o mercado local fechava, o índice do dólar em relação às principais divisas tinha alta de 0,24 por cento e o índice de ações Standard & Poor's 500 recuava 1,7 por cento.

"A alta do dólar aqui é a alta do dólar lá fora", disse o estrategista de uma corretora em São Paulo, que preferiu não ser citado. "Com os números ruins, o mercado entra num parafuso de aversão a risco. O cenário externo está dominando."

O principal motivo para a desconfiança dos investidores com aplicações mais arriscadas era a divulgação de dados ruins sobre a economia dos Estados Unidos. Os pedidos de auxílio-desemprego subiram ao maior nível em nove meses, os indicadores antecedentes avançaram apenas 0,1 por cento e a atividade fabril no Meio-Atlântico encolheu.

Notícias internas, porém, tampouco deram razão para um movimento diferente. Notícias desencontradas na mídia brasileira sobre a capitalização da Petrobras ressaltaram a dúvida do mercado sobre a realização da bilionária oferta de capital em setembro, como planejado.

Além disso, a ideia de que o governo aumentará a intervenção no mercado de câmbio caso o dólar caia abaixo de 1,75 real ainda deixa os investidores desconfortáveis em reforçar a venda da moeda norte-americana.

A possibilidade de um swap cambial reverso, aventada no mês passado, cresceu um pouco mais nesta sessão com o aumento do cupom cambial curto de 1,55 para 1,73 por cento no final da tarde. A subida acompanha a oferta de dólares no mercado futuro por estrangeiros, que mantinham posições vendidas de mais de 7,5 bilhões de dólares em dólar futuro e cupom cambial (DDI) na quarta-feira.

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