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25/08/2010 - 14h43

Cosan e Shell assinam acordo para joint-venture

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Cosan, maior produtora mundial de açúcar e álcool, anunciou nesta quarta-feira que assinou acordo vinculante definitivo com a Royal Dutch Shell, criando a esperada jont-venture avaliada em 12 bilhões de dólares com a companhia europeia, concluindo negociações em curso desde o início do ano.

A parceria prevê a união das operações de varejo de combustíveis de ambas as companhias no Brasil, com potencial de vendas anuais de 21 bilhões de dólares, e inclui todas as usinas de açúcar e etanol da Cosan no Brasil.

A Shell terá a opção de comprar a parte da Cosan na joint-venture, eventualmente assumindo as 23 usinas, quando o acordo atingir 10 anos.

O acordo deve ser concluído no primeiro semestre de 2011 e está condicionado à aprovação de órgãos governamentais de concorrência.

Na avaliação do presidente da Cosan, Marcos Lutz, a expectativa é de que o regulador europeu leve entre 30 e 45 dias para dar uma resposta e não são esperadas restrições.

"A atividade da JV na comunidade europeia é muito pequena, mas é uma prática da Shell fazer essa aprovação, não vejo grandes restrições", avaliou o Lutz em teleconferência com analistas nestas quarta-feira.

Lutz informou que no momento não pode falar em sinergias que serão conseguidas com a parceria enquanto não sair o resultado da consulta à UE.

"Poderemos falar quando abrirmos os números da Shell", explicou. "Isso depende da UE", completou

Em sua reunião com analistas o executivo informou que as duas companhias incluíram um acordo para permitir a saída da joint-venture em 10 anos, sendo que nos primeiros seis anos nenhum movimento poderá ser feito nesse sentido.

No décimo aniversário do fechamento do acordo, a Shell terá uma opção para comprar a metade ou a totalidade da participação da Cosan na joint-venture, que inclui todas as usinas do grupo. Caso a Shell opte por exercer tal opção, a Cosan terá o direito de decidir se venderá metade ou a totalidade de sua participação na parceria.

No 15o aniversário a Shell poderá novamente optar por comprar todas as ações da Cosan na JV. Se não fizer isso e não tiver também comprado a parte da Cosan no 10o ano, a Cosan tem direito de comprar a parte da Shell no negócio.

"É preciso ter regras claras e muito bem estabelecidas para eventualmente um divorcio no décimo ano, até para você conseguir ter um casamento melhor", explicou Lutz.

Em comunicado ao mercado mais cedo, a Cosan afirmou que a parceria será composta por três empresas distintas, nos segmentos de açúcar e álcool, distribuição de combustíveis e administração.

Conforme o memorando assinado em fevereiro, a joint-venture inclui a transferência de todas as usinas de açúcar e etanol da Cosan, incluindo co-geração de energia a partir do bagaço da cana e ativos de distribuição e comercialização de combustíveis.

"A JV vai estar produzindo no Brasil, mas poderá ser produtora de etanol em outros mercados e quando isso acontecer vai comercializar", disse Lutz aos analistas.

"Existe sim uma relação entre a Shell trading mundial e a JV, que é uma relação para um canal importante no mundo de distribuição...eles (Shell) são a maior trading na área de energia", ressaltou o executivo.

A Cosan informou ainda que foram incluídas no acordo oito futuras plantas de co-geração da empresa brasileira que não estavam previstas anteriormente no contrato.

Conforme o entendimento inicial, será transferida à joint-venture uma dívida líquida da Cosan de cerca de 2,524 bilhões de dólares, acrescida de um adicional não previsto de 500 milhões de reais junto ao BNDES, não estipulado no memorando de fevereiro.

A Shell, por sua vez, irá transferir os ativos referentes a venda e distribuição de combustíveis no Brasil, seu negócio de combustíveis de aviação e participação em duas empresas de pesquisa e desenvolvimento a partir da biomassa (Iogen e Codexis). A companhia europeia também entrará com um aporte de aproximadamente 1,6 bilhão de dólares.

Dando sequência ao acordado no primeiro entendimento, Shell e Cosan ficarão proibidas de concorrer em caráter global com a nova empresa, bem como afiliadas, enquanto participarem da joint venture.

(Reportagem de Vivian Pereira e Denise Luna)

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