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25/08/2010 - 16h57

Petrobras só espera aval de Lula para soltar preço do barril

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 25 de agosto (Reuters) - A equipe da Petrobras que está negociando com o governo sobre um consenso para o valor do barril do petróleo que será usado na capitalização da Petrobras está preparada para divulgar o preço a qualquer momento a partir desta quarta-feira (25), disse à agência de notícias Reuters uma fonte dentro da companhia.

"Eles saíram daqui (da sede da empresa, no Rio) com essa intenção (divulgar o preço). Se vai acontecer aí é com o Lula", disse a fonte que não pode ser identificada.

Os principais envolvidos na questão, como o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, estão em Brasília nesta quarta-feira em reuniões no Planalto sobre a questão. Mas nada oficial foi divulgado sobre em que pé estão as conversas.

Para a fonte da estatal, a capitalização vai acontecer em setembro como previsto, e o preço do barril do petróleo que será utilizado não vai tender nem para um lado nem para outro: será um consenso.

"Vai ter que ser um preço muito consciente, se for muito bom para o governo é ruim para o investidor privado, e ninguém quer prejudicar a Petrobras", avaliou, negando que os valores que vêm sendo divulgados correspondam à realidade.

"Deve ficar num meio termo, não tem outro jeito", disse, apostando algo em torno de US$ 7 a US$ 8 o barril, os mesmo valores citados à Reuters pelo presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Haroldo Lima.

Preço Baixo

Segundo a fonte, pelo fato das ações da Petrobras terem perdido muito do seu valor nos últimos meses, em função da capitalização, o preço da oferta pública deve ficar bem próximo ao valor atual do papel no mercado, cerca de R$ 25.

"O [megainvestidor George] Soros vendeu tudo lá atrás porque sabe que vai poder comprar tudo de novo mais barato na capitalização", disse sobre a venda das ações da Petrobras que Soros possuía.

"Outros acionistas pequenos podem ter dificuldade, mas vão tentar comprar também", avaliou.

Por volta das 16h30, as ações preferencias (que possuem preferência na hora de receber dividendos, mas não têm voto)da Petrobras (PETR4) eram negociadas a R$ 26,01, queda de 0,5% em relação ao fechamento de terça-feira.

A aposta dos acionistas minoritários, que em alguns casos se desfizeram de bens para acompanhar a subscrição, é nas perspectivas de crescimento da Petrobras, uma das únicas empresas no mundo com potencial de crescimento rápido de reservas e produção.

O recebimento de reservas de 5 bilhões de barris de petróleo da cessão onerosa, área que será cedida pelo governo em troca de ações da empresa em uma operação indireta com títulos públicos, vai elevar as reservas da companhia, que ainda conta com vários outras descobertas na promissora região, e que serão aos poucos incorporadas.

"Esses 5 bilhões de barris e outros campos do pré-sal vão aumentar a vida útil dos campos da Petrobras que hoje são de 16 anos para uns 30 anos", calculou a fonte.

Ele informou ainda que assim que receber a área, ou as áreas da cessão onerosa, a tendência é explorar o mais rápido possível.

"Já tem o poço (em Franco) furado e sondas por ali (em Santos), tem que começar a produzir o mais rápido possível, o que deve acontecer em 5 a 6 anos", previu.

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