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25/08/2010 - 11h53

Sem transporte, encomenda de bens duráveis cai nos EUA

WASHINGTON (Reuters) - O volume de novas encomendas de bens duráveis norte-americanos cresceu menos que o esperado em julho e, excluindo transportes, registrou o maior declínio em um ano e meio, indicando desaceleração no setor manufatureiro.

"Isso se soma à série de dados mais fracos que o esperado vinda dos Estados Unidos, aumentando o risco de uma recuperação muito gradual à frente", disse Matthew Strauss, estrategista sênior de câmbio da RBC Capital Markets em Toronto.

"Eu acho que nós ainda não estamos olhando para um cenário de retorno à recessão, mas obviamente o risco de entrarmos em um período de crescimento muito, muito lento aumentou."

O Departamento do Comércio dos EUA disse que as encomendas de bens duráveis cresceram 0,3 por cento após uma queda revisada de 0,1 por cento em junho. Excluindo transportes, as encomendas caíram 3,8 por cento --o maior declínio desde janeiro de 2009--, após subirem 0,2 por cento em junho.

Analistas ouvidos pela Reuters previam uma alta de 2,8 por cento para o mês passado, a partir da queda de 1,2 por cento estimada anteriormente para junho.

A previsão para as encomendas sem transportes era de um aumento de 0,5 por cento, ante a queda de 0,9 por cento calculada inicialmente para junho.

As encomendas de bens duráveis são um indicador antecedente do setor manufatureiro, e o acréscimo modesto do mês passado é o indício mais recente de que a indústria, maior indutora da recuperação econômica norte-americana, está perdendo força.

As encomendas de julho em geral foram impulsionadas pelo volátil componente de aeronaves, que avançou 75,9 por cento após o surpreendente declínio de 25,3 por cento em junho. A alta do mês passado reflete as 130 encomendas de aeronaves recebidas pela Boeing e provavelmente inclui parte das 49 encomendas de aviões de junho.

As encomendas de aeronaves de defesa caíram 8,3 por cento depois de subirem 5,7 por cento em junho, enquanto as encomendas de veículos motorizados cresceu 5,3 por cento após a expansão 4 por cento de junho.

Excluindo transportes, as encomendas foram prejudicadas pelo número fraco de pedidos de maquinários, equipamentos elétricos e computadores e produtos relacionados.

As encomendas de bens de capital não-militares excluindo aviões, uma importante medida dos gastos empresariais, encolheram 8 por cento, ante aumento de 3,6 por cento em junho. Os mercados esperavam uma alta de 0,4 por cento.

"A força do PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre foi o gasto empresarial. Parece que as empresas estão se retirando desse compromisso em julho. É um indicador de como a confiança está deteriorando", disse Christopher Low, economista-chefe da FTN Financial, em Nova York.

(Reportagem de Lucia Mutikani)

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