Veja os principais destaques sobre a situação nos Estados Unidos e na Europa e entenda as consequências para o Brasil

WASHINGTON, 20 Jun (Reuters) - O Federal Reserve (banco central norte-americano) anunciou nesta quarta-feira (20) uma nova rodada de estímulo monetário e afirmou estar pronto para fazer mais no apoio à recuperação da economia dos Estados Unidos, que parece apresentar uma fragilidade crescente.
"Estamos preparados para fazer o que for necessário. Nós estamos preparados para prover apoio à economia", avaliou o chairman do Fed, Ben Bernanke, em conferência de imprensa após a reunião de dois dias do Fomc (Comitê de Mercado Aberto).
O banco central dos EUA estendeu sua "Operação Twist" em US$ 267 bilhões, significando que venderá títulos de curto prazo para comprar bônus com prazos mais longos, reduzindo o custo dos empréstimos. O programa, que estava para expirar no fim do mês, foi prorrogado até o final do ano.
O Fed também reduziu suas expectativas para a faixa de crescimento econômico norte-americano, de 1,9% a 2,4%, após estimar de 2,4% a 2,9% em abril. As projeções para 2013 e 2014 também foram rebaixadas.
Para completar, autoridades do banco afirmaram esperar que o mercado de trabalho faça progressos mais lentos do que o previsto dois meses atrás, com a taxa de desemprego agora sendo vista pairando acima de 8 por cento para o restante do ano, sendo que, em maio, ficou em 8,2%.
O anúncio da extensão da "Operação Twist" provocou reações diversas nos mercados financeiros. As ações norte-americanas e os títulos públicos oscilaram. O dólar caiu ante o euro e subiu frente à moeda japonesa.
"É um passo pequeno. Esse é provavelmente a último de suas ferramentas de afrouxamento não convencionais", afirmou Ethan Harris, economista do Bank of America/Merrill Lynch em Nova York.
Alguns economistas disseram que o Fed eventualmente lançaria uma terceira rodada de compra de ativos conhecida como "quantitative easing" (QE3), que poderia ampliar a carteira do Fed.
"Se nós não observarmos melhora contínua no mercado de trabalho, estaremos preparados para adotar novas ações, se necessário", avaliou Bernanke.
"Acho que deve haver alguma convicção de que são necessários (novos passos), mas se chegarmos a essa convicção, então adotaremos esses passos adicionais", completou.
As contratações no mercado de trabalho norte-americano em queda acentuada, a produção industrial e a confiança do consumidor se esvaindo, a crise da dívida da Europa e as perspectivas fiscais dos EUA, além dos gastos públicos, têm forte peso nas avaliações.
A economia cresceu apenas 1,9% em taxa ajustada anualmente no primeiro trimestre, e economistas esperam que se saia um pouco melhor no segundo trimestre.
O Fed, que mantém a taxa básica de juros próxima de zero desde dezembro de 2008, reiterou sua expectativa de que as taxas fiquem em patamares excepcionalmente baixos pelo menos até o fim de 2014.
As projeções dos juros divulgadas pelo banco central mostraram que seis de 19 membros não esperam que as taxas subam até meados de 2015. Em abril, eram apenas quatro.
Depois de expandir seu balanço com a aquisição de US$ 2,3 trilhões em bônus do governo e ligados a hipotecas, o Fed lançou a Twist no ano passado, com a promessa de trocar US$ 400 bilhões em títulos.
Em sua conferência de imprensa nesta quarta-feira, Bernanke resistiu à acusação de que compras de bônus realizadas pelo Fed anteriormente não foram bem-sucedidas, e que o banco central está acabando com seu estoque de políticas.
"Parece que eles (Fed) estão segurando mais poder de fogo para o caso de as coisas piorarem", afirmou o executivo-chefe da Decision Economics em Nova York, Allen Sinai.
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