
RIO DE JANEIRO, 1 Ago (Reuters) - O mercado de derivados líquidos de petróleo se manteve vigoroso e obteve um crescimento de 5 por cento no primeiro semestre do ano, disse uma fonte da Petrobras nesta quarta-feira.
Segundo a fonte, que pediu para não identificada, normalmente o mercado de combustíveis se mantém próximo à evolução do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mas deve haver um descolamento em 2012.
"O vigor do mercado continua mesmo com o PIB crescendo menos. Estamos crescendo bem acima do PIB brasileiro", disse a fonte à Reuters.
Se for mantido no segundo semestre o ritmo de vendas de derivados do primeiro, deve ocorrer um descolamento significativo ante o PIB --a previsão do mercado é de que o PIB cresça 1,9 por cento em 2012.
A Petrobras divulga o resultado do segundo trimestre na próxima sexta-feira após o fechamento do mercado, e os dados do mercado de derivados líquidos será anunciado pela estatal oficialmente apenas após a apresentação do balanço.
"É um resultado sustentado pela performance da gasolina e outros líquidos, mas posso dizer que foi acima do esperado", declarou a fonte.
Nos últimos anos, o consumo de derivados vinha crescendo acima do PIB e havia dúvidas sobre a sustentação dessa trajetória em um momento de arrefecimento mais expressivo do crescimento econômico.
Em 2011, o PIB foi de 2,7 por cento segundo o IBGE e o mercado de líquidos aumentou 3,6 por cento segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
"Parece ser um fenômeno consolidado esse de crescer acima do PIB", disse a fonte.
"Se o PIB engrenar no segundo semestre, melhor ainda porque vai haver mais demanda por líquidos. Quanto mais aquecida a economia, melhor. Isso é um dado real, mas já cresceu bem", destacou a fonte.
A fonte acredita que os incentivos dados pelo governo ao setor de automóveis (redução de IPI, dentre outros) irão ajudar na ampliação da frota e, consequentemente, no consumo.
O desempenho do mercado de líquidos só não foi melhor no primeiro semestre por conta da performance do consumo de etanol e óleo combustível.
A venda de etanol vem sendo prejudicada no país em razão a política de preços da gasolina. Com o preço interno abaixo do internacional, a gasolina se torna melhor opção ao etanol em parte do Brasil.
"Há problemas climáticos, de preço e de oferta que causam também uma migração do etanol para a gasolina", avaliou a fonte.
IMPORTAÇÃO FORTE
Nesta quarta-feira, a presidente da Petrobras, Maria das Gracas Foster, informou que a importação de gasolina aumentou 13 por cento no primeiro semestre e as vendas chegaram a 510 mil barris dia para atender a demanda interna do país.
Segundo ela, o consumo de gasolina na primeira metade do ano avançou 7 por cento e o querosene de aviação 7,1 por cento ante o mesmo período do ano passado.
"O crescimento que nosso mercado teve é surpreendente", declarou ela em palestra no Ibef. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Leila Coimbra)
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