Veja os principais destaques sobre a situação nos Estados Unidos e na Europa e entenda as consequências para o Brasil

Após três anos de crise da dívida na zona do euro, a economia alemã estagnou e há alguns temores de que o país pode cair em recessão no segundo semestre deste ano. Durante a semana passada, a maior economia da Europa foi afetada por uma série crescente de dados ruins, mostrando declínios nas encomendas manufatureiras, produção industrial, importações e exportações.
Num alerta incomum feito nesta sexta-feira (10), o Ministério da Economia afirmou que esses números e a forte queda do sentimento do empresário nos últimos meses apontavam "riscos significativos" para as perspectivas da Alemanha.
Na próxima terça-feira, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre devem mostrar um crescimento modesto de aproximadamente 0,2%. Mas o perigo de recessão no segundo semestre do ano está aumentando, dizem economistas, em tempos em que o bloco monetário da Europa precisa desesperadamente de crescimento de sua potência.
A desaceleração carrega riscos para a chanceler alemã, Angela Merkel, que irá buscar o terceiro mandato nas eleições de daqui a um ano, e pode influenciar a opinião pública sobre a estratégia de combate a crise, especialmente se o nascente aumento do desemprego acelerar.
"A economia alemã está perdendo força --não há dúvidas sobre isso-- e no terceiro trimestre a economia irá encolher em relação ao segundo trimestre", afirmou o economista-chefe do Commerzbank, Joerg Kraemer.
"As coisas vão piorar a partir de agora. A economia alemã não está indo tão mal quanto o resto da zona do euro, mas não pode se desconectar, especialmente com o crescimento na China desacelerando e continuando assim."
A Alemanha é conhecida pelo crescimento liderado pelas exportações, mas a crise da zona do euro atingiu seu maior mercado. Quase 40% das exportações do país vão para seus parceiros do bloco monetário e 60% para países da União Europeia como um todo.
A China, um dos mercados da Alemanha que mais cresce e que representa quase 7% das exportações alemãs, também está desacelerando. Dados da China divulgados nesta semana mostraram que a produção industrial cresceu no ritmo mais lento em três anos, que os novos empréstimos estão na mínima em dez meses e que o crescimento das exportações ficou muito aquém das expectativas.
(Reportagem adicional de Chris Cottrell e Andreas Cremer em Berlim e Victoria Bryan em Frankfurt)
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