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14/09/2012 - 18h28

Dólar cai 0,39% mesmo com 2 leilões de swap reverso do BC

Por Danielle Fonseca

SÃO PAULO, 14 Set (Reuters) - A atuação mais forte do Banco Central no mercado de câmbio, fazendo dois leilões de swap cambial reverso, não foi suficiente para impedir que o dólar fechasse em queda ante o real nesta sexta-feira pela segunda sessão seguida.

A moeda norte-americana encerrou com desvalorização de 0,39 por cento, cotada a 2,0111 reais na venda.

O dólar está sofrendo maior pressão de baixa depois do anúncio de medidas de estímulos monetários nos Estados Unidos na quinta-feira, o que pode representar mais fluxo para o Brasil.

Na quinta-feira, o Fed prometeu comprar 40 bilhões de dólares em dívida hipotecária por mês até que as perspectivas de emprego melhorem substancialmente nos Estados Unidos.

As intervenções do BC doméstico, no entanto, ainda estão conseguindo manter a moeda acima do patamar de 2 reais e o mercado deve ficar atento a possíveis novas atuações da autoridade monetária para defender esse nível.

"É natural que o dólar continue a cair com uma melhora lá fora e o mercado não contrarie essa tendência. O BC fez o primeiro leilão e depois o dólar voltou a acompanhar o cenário externo, então ele fez o segundo, só que a demanda foi pequena", disse o operador de câmbio da Renascença Corretora José Carlos Amado.

O BC realizou pela manhã um leilão de swap cambial reverso --operação que equivale à compra de dólares no mercado futuro--, na qual vendeu quase toda a oferta de até 36 mil contratos.

Com esse leilão de swap reverso e outro já feito na quarta-feira, o BC anulou o valor de 1,8 bilhão de dólares de contratos de swap cambial tradicional que venciam em 1o de outubro e ainda ofertou mais contratos para um novo vencimento. Mesmo assim, a atuação não foi suficiente para segurar a queda do dólar.

A autoridade monetária, então, voltou a atuar com mais força, dessa vez ofertando até 70 mil contratos de swap reverso à tarde. A demanda, no entanto, foi menor nessa operação, com a venda de apenas de 7.400 contratos, o que fez a moeda voltar a acelerar suas perdas frente ao real.

"O mercado não mostrou tanto interesse nos contratos, talvez os investidores estejam esperando para ter uma leitura melhor do cenário e ver como ficará o fluxo", avalia o operador Amado.

Mesmo com a moeda mantendo a queda, o mercado ressalta a determinação do BC e do governo em impedir que o dolar caia abaixo de 2 reais, visto como um piso informal da moeda para o mercado, e não descarta novas atuações, até por meio de outros instrumentos, como a compra de dólares à vista ou a termo.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira que o governo continuará atuando no câmbio para garantir uma taxa competitiva para a indústria brasileira enquanto outros países não adotarem um regime cambial flexível. Na véspera, ele havia dito que o governo tem um "arsenal de medidas" para evitar a valorização do real.

(Reportagem de Danielle Fonseca)

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