UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

17/09/2012 - 18h29

Inundação cede na Argentina, mas solo continua muito úmido

Por Nicolás Misculin

BUENOS AIRES, 17 Set (Reuters) - As águas em áreas inundadas da Argentina continuaram a baixar nos últimos dias, nos locais onde observou-se somente chuvas esparsas e de baixa intensidade, mas a situação dos solos é desigual em Buenos Aires, principal província agrícola do país, segundo um meteorologista.

Enquanto muitas terras do distrito se encontram em ótimo estado para o plantio da soja e do milho, principais culturas do país, outras estão tão úmidas que poderiam ser inundadas, se a primavera no hemisfério sul se concretizar tão chuvosa quanto o previsto.

"A água está escorrendo, mas a maior parte dos solos está saturada. Qualquer chuva pode alagar os solos. As zonas mais prejudicadas são o centro e o sudeste de Buenos Aires", salientou Germán Heinzenknecht, meteorologista da Consultora de Climatología Aplicada.

As chuvas de agosto foram as mais abundantes registradas no país em décadas e, segundo números oficiais, há 3,5 milhões de hectares prejudicados por inundações em Buenos Aires, grande parte delas dedicadas à pecuária.

Além do alagamento, a chuva deixou um nível de umidade adequado para o ciclo 2012/13 do milho, que já está sendo implementado, e para a soja da mesma temporada, cuja semeadura está prestes a começar.

"As perspectivas são boas para a soja e o milho. Córdoba, Santa Fe e Entre Ríos --segunda, terceira e quarta província na ordem de produção de grãos-- devem ter uma grande safra, a dúvida ainda é Buenos Aires", afirmou o especialista.

"O grande problema (de Buenos Aires) são os caminhos de acesso aos campos. Há muitas áreas que podem ser lavradas, mas as máquinas (para a semeadura) não têm acesso fácil", acrescentou.

O Serviço Meteorológico Nacional informou nesta segunda-feira que nas últimas 24 horas houve chuvas leves na maior parte da área agrícola central do país, em especial em Buenos Aires, no sul de Santa Fé e Córboda, e no leste da província de La Pampa.

A primavera tende a ser uma estação chuvosa na Argentina, e a maioria dos especialistas climáticos preveem uma umidade maior ainda para este ano, como consequência ao fenômeno climático El Niño, que pode provocar maiores precipitações na região.

Para os próximos dias, no entanto, somente se esperam algumas chuvas para as regiões que não estão alagadas, como o norte da província de Buenos Aires, destacou Heinzenknecht.

Sobre o trigo, que foi semeado durante o inverno no hemisfério sul e estava em pleno crescimento em agosto, o meteorologista disse que espera uma safra pequena, porque apesar dos danos causados pelas enchentes não terem sido muito grandes, eles se somarão à redução da superfície semeada.

"No sudeste de Buenos Aires, os que já semearam, devem ter uma safra muito boa, devido às chuvas. Mas em outras áreas como Tandil --no sudeste provincial--, o trigo ficou embaixo de água", disse Heinzenknecht.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima a colheita argentina para a temporada 2012/13 em 55 milhões de toneladas de soja, 28 milhões de toneladas de milho, e 11,5 milhões de toneladas de trigo.

Hospedagem: UOL Host