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02/01/2009 - 13h09

Boi gordo é destaque na BM & F em 2008

SÃO PAULO - Produto agropecuário mais negociado na BM & FBovespa, o boi gordo encerrou 2008 longe da cotação-teto atingida no meio do ano, de mais de R$ 102 por arroba, mas, para analistas desse mercado, os reflexos da crise econômica sobre esse mercado poderiam ter sido bem mais negativos. Restrições às exportações poderiam fazer supor que os próximos meses serão de quedas pronunciadas, mas o ainda satisfatório consumo do mercado interno leva a apostas de que novos mergulhos das cotações do boi gordo no mercado futuro, como os ocorridos entre novembro e o início de dezembro, estão, por ora, descartados. Segundo cálculos do Valor Data baseados nos contratos futuros de segunda posição de entrega, os seis produtos agropecuários negociados na BM & FBovespa fecharam 2008 com cotação média anual superior a do ano anterior. No segundo semestre, contudo, entre os quatro principais papéis - os outros três são café, soja e milho - apenas o boi acumulou alta em comparação à média da primeira metade do ano - além dele, o etanol, que representa apenas 0,5% do volume de contratos negociados na BM & FBovespa, também registrou preço médio maior na comparação entre os semestres. " O ano [do boi gordo] foi bom em relação a outras commodities e também se levarmos em conta a economia em geral. Houve uma queda forte no fim do ano, mas os reflexos da crise sobre esse contrato acabaram demorando um pouco para aparecer " , afirma Julie Trabulse, da corretora Terra Futuros. Os dados do último trimestre do ano deixam ainda mais explícito o fato de o boi gordo ter conseguido se sustentar durante a tempestade, apesar dos pesares. Entre o terceiro e quarto trimestres, todos os seis produtos, negociados na bolsa brasileira apresentaram recuo no preço médio, conforme o Valor Data. Mas o boi gordo caiu menos de 3%, enquanto os demais contratos agropecuários perderam mais de 10% do valor. A retração da soja, por exemplo, foi superior a 30%. Os contratos de boi gordo de segunda posição encerram 2008 com cotação média anual de R$ 83,70 por arroba, alta de 40,2% em relação à média do ano anterior. Embora os analistas acreditem haver espaço para sustentação das cotações ao longo de 2009, poucos defendem com veemência que o próximo ano será novamente de altas acentuadas. " A crise quebrou as pernas de quem achava que a arroba do boi chegaria a R$ 105 " , lembrou Marcos Barbosa de Lima, operador da corretora Souza Barros. A forte liquidação de papéis decorrente do espocar da crise abateu as negociações de contratos agrícolas no mercado futuro. O café, segundo produto mais negociado na BM & FBovespa, registrou alta na comparação das médias de 2007 e 2008, que chegou a R$ 160,78. Entre o primeiro e o segundo semestres deste ano e também entre o terceiro e o quarto trimestres, contudo, o papel recuou. Houve queda mesmo em comparação entre o segundo semestre de 2007 e deste ano. Embora tenham como norte as cotações da bolsa de Chicago, referência internacional para a formação de preços, os contratos de soja e milho começam 2009 bastante atentos ao andamento do mercado interno. Esse cenário é particularmente mais acentuado no caso do milho, que, além de ter tido produção na safra de inverno bastante superior à de anos anteriores, é cotado em reais na bolsa brasileira. " A seca no Sul do país pode levar a uma quebra de produção em parte da região. Algumas fazendas já têm dito que perderam 100% do que foi plantado " , diz Luis Felipe Marques, operador da Terra Futuros. " Por outro lado, pode haver um excesso de oferta do milho safrinha que não foi exportado " . Em 2008, na média, os contratos de milho subiram 9,57%, para R$ 24,50 a saca, e os de soja, 37,14%, para US$ 26,85 a saca. Os futuros de açúcar subiram 19,22% entre 2007 e 2008, para US$ 15,12 a saca de 50 quilos, mas ficaram abaixo da média de 2006. Os contratos de etanol, criados em 2007, subiram 22,19%, para US$ 489,88 o metro cúbico. (Patrick Cruz | Valor Econômico )

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