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02/01/2009 - 08h04

Bovespa subiu na terça, mas caiu 41% no ano; dólar ganhou 31% em 2008

SÃO PAULO - O último pregão de 2008 foi positivo para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou em território positivo, garantindo o primeiro ganho mensal desde maio. O dólar caiu forte ante o real, mas se manteve acima dos R$ 2,30. E os juros futuros seguiram ajustando para baixo em meio a expectativas consolidadas de juros menores em 2009.

Na avaliação do ano, o dólar foi o destaque de alta, ganhando 31,34% contra o real e quebrando uma seqüência de cinco anos consecutivos de queda. A valorização foi a terceira maior já registrada desde a implementação do Plano Real. A moeda só não subiu mais do que o ouro, que ganhou 32,13% em 2008.

Mas vale lembrar que toda essa alta foi conquistada nos últimos meses de 2008, pois até o começo de setembro o dólar ainda perdia ante o real. Na mínima do ano, registrada em 1º de agosto, a moeda fechou a R$ 1,559, preço que não era observado desde 1999. A Bovespa deixou o posto de queridinha dos investidores que ocupou com destaque de 2003 a 2007. O Ibovespa, principal indicador de mercado, afundou 41,22%. O resultado só não é pior que os 44,42% amargados em 1972. Isso mesmo, foi o pior ano para a bolsa em 36 anos. Voltando para a terça-feira, o bom humor no mercado brasileiro seguiu o cenário externo, onde a liberação de US$ 5 bilhões para GMAC, braço financeiro da General Motors, renovou a confiança dos investidores. Ao final do dia, o Dow Jones apontava alta de 2,17%, enquanto o Nasdaq subiu 2,67%.

Por aqui, depois de um breve período de instabilidade as compras firmaram e o Ibovespa fechou com alta de 1,32%, aos 37.550 pontos. O giro financeiro somou R$ 2,6 bilhões. Com isso, o índice encerrou dezembro com ganho de 2,61%. Desde maio o Ibovespa não registrava variação mensal positiva. No câmbio, os agentes pressionaram e conseguiram levar a taxa para baixo, influenciando, assim, a formação da Ptax (medida das cotações ponderada pelo volume utilizada para liquidação dos contratos futuros na BM & F). A queda foi acentuada, mas não indica mudança de tendência. As apostas ainda são de dólar mais caro, algo evidenciado pelos cerca de US$ 13 bilhões em posições compradas na BM & F. Na terça-feira, o dólar comercial encerrou cotado a R$ 2,332 na compra e R$ 2,334 na venda, baixa de 3,35%. Foi a maior perda diária desde 11 de dezembro. No mês, a moeda ainda subiu 0,82%, marcando o quinto mês consecutivo de alta. Só no quarto trimestre a divisa disparou 22,58%. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa perdeu 2,29%, fechando a R$ 2,313. O giro financeiro somou US$ 246,25 milhões, montante mais de seis vezes maior que o observado na segunda-feira. Já no interbancário o movimento foi de US$ 5,08 bilhões, cifra expressiva, ainda mais se comparada aos US$ 770 milhões da segunda-feira.

Com bolsas em alta e dólar em queda os investidores aproveitaram para elevar suas apostas de queda na taxa de juros. O resultado disso foram contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) em baixa na BM & F. Ao final da jornada, o contrato de DI com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava baixa de 0,13 ponto percentual, para 12,17%. Já o contrato para janeiro 2011 fechou com perda de 0,16 ponto, a 12,19%. E janeiro 2012 apontava 12,27%, desvalorização de 0,24 ponto.

Na ponta curta, o contrato para janeiro de 2009 fechou em direção oposta, registrando alta de 0,03 ponto, para 13,51%. Enquanto o DI para julho de 2009 perdeu 0,05 ponto, projetando 12,67% ao ano.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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