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02/01/2009 - 12h29

Kassab diz que sua missão é divulgar gestão de SP no país

SÃO PAULO - O prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM) tomou posse ontem sob promessa de que as áreas de saúde, educação e transporte não serão afetadas pela crise internacional, ao passo que outros setores da administração terão contenção de gastos. " Temos que estar preparados para enfrentar as dificuldades sem comprometer a nossa missão de investir na melhoria da qualidade de vida dos paulistanos. Por isso, decidimos manter nosso programa social, principalmente educação, saúde e transporte público, contendo cautelarmente os gastos em outras áreas. Assim será até que o horizonte se torne mais claro, até que tenhamos certeza das consequências dessa crise para a vida de São Paulo " , afirmou em seu discurso de posse. Em tom conciliador, disse também estar à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ajudar a amenizar os efeitos da crise no país. " Quero também dizer que o presidente Lula sabe que não faltará apoio, nem solidariedade, nessa luta nacional para minimizar os efeitos da crise em nosso país. " Kassab falou em manter um " modelo de gestão " que compartilha austeridade fiscal e enfoque social. Único prefeito de capital eleito pelo DEM e tido como peça chave na campanha presidencial do governador José Serra (PSDB) em 2010, afirmou que é sua " missão política " divulgar esse modelo país afora. " É muito claro meu dever de contribuir para que o Brasil tome conhecimento do modelo de gestão que nosso governo oferece, com base na austeridade e na atenção aos mais carentes, na eficiência administrativa e na solução dos mais graves problemas sociais. " Esse modelo também foi desenhado por Serra no discurso que o governador fez antes do prefeito: " Capital e Estado compartilham de um mesmo objetivo: promover desenvolvimento, justiça social e bem estar da população. São governos populares e governos responsáveis. Não há no nosso entendimento nenhuma contradição entre um governo popular e um governo responsável do ponto de vista fiscal e social " . Tal qual Lula, o prefeito fez uso de metáforas. A primeira, ao comparar a sua equipe à seleção brasileira campeã mundial de 1958 e que acabou sendo bicampeã em 1962 e, de quebra, elogiar Serra, que assistiu à posse ao seu lado. " Aprendemos naquela ocasião a expressão " jogar como uma orquestra " . Quatro anos depois, a seleção que seria campeã novamente, era a mesma seleção canarinho. O maestro, o " rei " , teve que se ausentar dos gramados, mas o time tinha a mesma espinha dorsal, todos conheciam as habilidades dos companheiros mais velhos e dos que tinham entrado para a equipe recentemente. E assim a Seleção brasileira dos meus primeiros anos de vida reinou campeã mundial por oito anos. A segunda, ao criticar a campanha de sua adversária Marta Suplicy (PT). " Durante a campanha eleitoral, o cenário de crise internacional apenas se esboçava. Nossos adversários nos censuraram então, por manter dinheiro em caixa. Hoje fica claro mais uma vez que eles falavam como a cigarra, da célebre fábula de La Fontaine, debochando da formiga por se preocupar com os rigores do inverno. " Também em outro momento foram feitas críticas aos petistas. " A capital paulista de quatro anos atrás estava falida, tinha dado calote em 12 mil contratos, tinha deixado sem pagamento, às vezes até sem documentação contábil confiável, dívidas vencidas de curto prazo no valor cerca de dois bilhões de reais. Neste mesmo hall monumental do Palácio Matarazzo, formaram-se filas com 12 mil credores que tinham que provar seus créditos, uma vez que os registros dos serviços prestados e produtos entregues tinham sido apagados. A Prefeitura tinha apenas cinco milhões de reais no banco e dois bilhões de reais em dívidas de curto prazo vencidas. " Na única citação de seu discurso, lembrou o ex-presidente da antiga União Soviética, Mikhail Gorbachev: " Apesar de toda a diversidade de sistemas sociais e políticos, este mundo é um só. Somos todos passageiros de uma nave, a Terra. Quando um pedaço dessa nave balança acolá, os efeitos são sentidos aqui e ali. " Antes da cerimônia de posse na sede da prefeitura, Kassab foi oficialmente empossado na Câmara dos Vereadores, que, após o evento, elegeu a composição de sua Mesa. O atual presidente, Antonio Carlos Rodrigues (PR), foi reconduzido ao cargo. Sua eleição era tida como certa em virtude de um acordo entre as bancadas da casa, que garantiram ao vereador a presidência da Câmara pela terceira vez. O " acordão " seguiu praticamente sem opositores, o que garantiu a Dalton Silvano (PSDB) a primeira vice-presidência e a Francisco Chagas (PT) o posto de primeiro-secretário, dois dos mais importantes cargos na mesa diretora da casa. O único partido a se abster na votação de todos os sete cargos da mesa foi o PPS. " Foi feito um acordo para a eleição da mesa, mas nem todos os partidos foram consultados para essa coalizão. Por isso preferimos nos abster " , disse Claudio Fonseca, um dos dois vereadores eleitos pelo partido. O mais enfático crítico ao acerto para a eleição da Mesa foi o tucano Gilberto Natalini, que se retirou da casa com o argumento de que " o ? centrão ? (formado por PR, PV, PTB, DEM, PP, PSB e PMDB) representa o atraso " e não participou da sessão. Apesar disso, outro tucano, José Police Neto, o Netinho, será o líder do governo na Câmara. O presidente reeleito Antônio Carlos Rodrigues mantém sua luta contra sua condenação, pela Justiça de São Paulo, por improbidade administrativa. Ele foi acusado de superfaturar a contratação de mão-de-obra na época em que era diretor da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), de 1990 a 1994. Sobre o tema, Rodrigues limitou-se a responder, repetidamente, " a Justiça tarda, mas não falha " . (Caio Junqueira e Patrick Cruz | Valor Econômico )

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