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06/01/2009 - 08h30

Bovespa ignorou exterior e subiu para 41.500 pontos; dólar caiu

SÃO PAULO - Ignorando a instabilidade proveniente de Wall Street, os mercados brasileiros começaram a semana de forma otimista. Compras no setor de commodities levaram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para o quinto pregão seguido de alta, algo não observado desde abril de 2008. Com entrada de recursos e redução nas apostas contra o real, o dólar rompeu os R$ 2,30 pela primeira vez desde meados de novembro e os juros futuros precificam Selic próxima de 12% no encerramento do ano, uma queda de 1,75 ponto sobre os 13,75% atuais. O começo do dia foi pouco positivo, com a bolsa ensaiando realização de lucros e o dólar ameaçando alta, mas notícias vindas da Ásia e o surgimento de reportagens apontando novos planos de estímulo à economia nos EUA garantiram o descolamento do mercado brasileiro do pessimismo das bolsas norte-americanas. Ao final da segunda-feira, o Ibovespa apontava 41.518 pontos, alta de 3,17%, confirmando assim a disparada de mais de 7% observada na sexta-feira. O giro financeiro ficou em R$ 4,24 bilhões. O patamar de fechamento foi o maior desde 14 de outubro.

Destaque para as ações da Vale e das siderúrgicas que ganharam atratividade depois que saíram notícias apontando que a China irá retomar o " toll trading " , modalidade de negócios no qual o país importa matérias-primas, processa os produtos e exporta. Em Wall Street, os investidores embolsaram os ganhos dos últimos pregões em meio a notícias negativas proveniente do setor automotivo. O Dow Jones fechou com baixa de 0,91%, enquanto o Nasdaq perdeu 0,26%. As vendas da Ford e da General Motors caíram mais de 30% em dezembro.

No câmbio, os agentes notaram fluxo positivo de dinheiro para o país e desmanche de posições compradas (apostas contra o real) no mercado futuro. Sinal da maior disposição em ofertar moeda é que o preço continuou caindo mesmo com os importadores demandando dólares. Outra indicação do equilíbrio foi a ausência do Banco Central do mercado à vista. Na segunda-feira, a autoridade monetária atuou via leilão de venda com compromisso de recompra (leilão de linha). O BC aceitou três propostas colando US$ 650 milhões. Depois de subir a R$ 2,344 na máxima do dia, o dólar comercial fechou em baixa de 3,42%, valendo R$ 2,251 na compra e R$ 2,253 na venda, menor preço desde 11 de novembro.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa se desvalorizou 3,35%, fechando a R$ 2,2544. O giro financeiro somou US$ 277 milhões. Já no interbancário o movimento foi de aproximadamente US$ 1,284 bilhão. O mercado de juros futuros já precificou todo o corte de juros estimado para 2009. O vencimento janeiro de 2010 é negociado próximo dos 12% (taxa prevista pelos participantes do mercado para o final do ano) o que deixa pouco spread para apostas. Quedas adicionais dependem de dados econômicos piores do que o esperado. E caso a atividade se comporte melhor do que o previsto há espaço para puxada de alta nos vencimentos.

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2010, o mais negociado, apontou queda de 0,07 ponto percentual, para 12,07%. O contrato para janeiro 2011 fechou com perda de 0,14 ponto, a 12%. E janeiro 2012 apontava 12,06%, desvalorização de 0,11 ponto.

Na ponta curta, o contrato para fevereiro de 2009 destoou do mercado subindo 0,04 ponto percentual, para 13,40%, enquanto julho de 2009 recuou 0,03 ponto, projetando 12,65% ao ano.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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