UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

06/01/2009 - 09h55

Cooperados terão até R$ 2 bilhões do governo

BRASÍLIA - O governo federal decidiu criar um programa de capitalização para fortalecer as cooperativas agropecuárias com recursos financiados diretamente aos seu produtores associados. Com sinal verde do Palácio do Planalto, a medida, que pode injetar até R$ 2 bilhões, está sob a avaliação técnica do Ministério da Fazenda. O novo programa (Procap Agro) deve auxiliar no refinanciamento das dívidas das cooperativas, que já atingem " proporções preocupantes " , segundo avaliação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Pela proposta, os produtores reforçam suas " cotas-partes " nas sociedades por meio da emissão de notas promissórias rurais (NPRs). Para empréstimos até R$ 15 mil não haveria a necessidade de oferecer garantias reais, como terras ou máquinas. As NPRs devem ser suficientes. Acima de R$ 15 mil, seriam exigidas garantias adicionais. A adesão ao Procap Agro teria de ser aprovada em assembléia e contaria com um percentual mínimo de cooperados. O governo informa que a linha teria seis anos de prazo de pagamento com dois de carência. As cooperativas queriam prazo de oito anos com três de carência. " É uma nova forma de financiar as cooperativas. O governo está muito atento ao assunto porque sabe o tamanho do problema no setor " , diz o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas. " Mesmo as boas cooperativas precisam de dinheiro porque os bancos internacionais fecharam as torneiras do crédito " . As medidas para amenizar a crise do cooperativismo, que devem incluir a ampliação do prazo de adesão à renegociação das dívidas rurais dos produtores, também passariam pela reavaliação parcial das garantias reais vinculadas a outros empréstimos ou refinanciamentos - Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) e os programas de saneamento de ativos (Pesa) e de recuperação das cooperativas (Recoop). Com isso, se um financiamento teve 30% do total quitado, as cooperativas poderiam usar essa " margem " para contratar novos empréstimos. A Fazenda alerta que isso poderia, em alguns casos, elevar a dívida, porque haveria uma revisão global dos contratos. " Mas é uma forma de dar um fôlego ao caixa e estimular novos investimentos " , defende o secretário de Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Márcio Portocarrero. O segmento avalia que isso também eliminaria o argumento dos bancos para negar novos créditos. A nova medida do pacote de auxílio ao setor rural complementaria as ações até aqui decididas. No fim de novembro de 2008, o governo havia permitido aos bancos emprestaram até R$ 300 milhões destinados à investimento (Prodecoop) para capital de giro de cooperativas em dificuldades. Com prazo de dois anos e juros de 6,75%, o limite individual ficou em R$ 10 milhões por empresa. Também foi ampliado o limite de crédito, de R$ 35 milhões para até R$ 50 milhões por sociedade, no Prodecoop - as cooperativas centrais têm até o dobro. São 12 anos de prazo com três de carência. Sob pressão de movimentos sociais, o governo aprovou o refinanciamento de dívidas de produtores familiares com cooperativas de crédito de 2002/03 a 2005/06. A nova linha terá R$ 8 milhões, juros de 3% ao ano e três anos para pagar. As cooperativas centrais tiveram novo limite de R$ 10 milhões e as singulares, de R$ 2 milhões, para financiar novas operações.

(Mauro Zanatta e Arnaldo Galvão | Valor Econômico)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host