UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

01/07/2009 - 08h39

Bovespa teve perda no mês, mas aumentou 25,75% no trimestre

SÃO PAULO - O pregão de terça-feira nos mercados brasileiros foi um retrato de todo o mês e junho: instabilidade na formação de preço tanto na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), quanto no dólar e nos juros futuros.

O consenso que vale para os três mercados é que junho pode ser visto com um período de " parar para pensar " , depois de meses de otimismo, que resultaram em forte valorização na Bovespa, queda no preço do dólar e menores prêmios de risco no mercado de juros futuros.

Os agentes de mercado passaram o mês à espera de novos eventos que justificassem reprecificação dos ativos brasileiros. Mas, por ora, a distribuição entre dados bons e ruins ainda é muito assimétrica e isso não deve mudar em breve. Um sinal claro da disparidade dos indicadores foi dada ontem mesmo, com a divulgação do índice de confiança do consumidor nos EUA. Depois da surpresa para cima em maio, junho reservou a surpresa para baixo. Segundo o Conference Board, o índice de confiança caiu de 54,8 em maio para 49,3 em junho. A previsão de alta foi frustrada pelo fraco desempenho do componente que mede a expectativa dos americanos em relação ao mercado de trabalho.

A divulgação do indicador ecoou não só nas bolsas de valores, que passaram a operar em queda, mas também fez preço no mercado de câmbio e de commodities. Por aqui, o Ibovespa devolveu os ganhos da manhã e fechou o dia com declínio de 1,29%, aos 51.465 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,16 bilhões. Com tal pontuação, o índice fechou junho com queda de 3,26%. Mas tal variação negativa não tirou a importância da alta de 25,75%, ou 10.540 pontos, conquistada no segundo trimestre. Esse foi o melhor resultado trimestral desde o terceiro trimestre de 2005. No ano, o ganho está em 37,06%.

O pregão no mercado de câmbio foi de acentuada instabilidade, resultado da briga entre comprados e vendidos pela formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) que vai liquidar os contratos futuros de julho na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Depois de cair a R$ 1,936 na mínima e bater R$ 1,969 na máxima, o dólar comercial fechou o dia com leve alta de 0,05%, a R$ 1,962 na compra e R$ 1,964 na venda.

No mês, a moeda americana teve queda de 0,30%, marcando o quarto mês seguido de decréscimo. Já a perda acumulada no segundo trimestre ficou em 15,27%. No ano, o dólar comercial acumula depreciação de 15,85%.

Já na roda de " pronto " da BM & F, a moeda teve leve baixa de 0,05% nesta terça-feira, encerrando a R$ 1,962. O giro financeiro se recuperou, somando US$ 249,25 milhões, quase seis vezes maior que o observado na segunda-feira. No interbancário o volume passou de US$ 2,1 bilhões, baixo para dias com formação de Ptax.

No juros futuros, a instabilidade também marcou a sessão, mas como explicou o sócio da Oren Investimentos, Jacob Weintraub, a verdade é que o mercado de juros, como diz o jargão de mercado, continua caminhando de lado, ou seja, sobe ou desce conforme o noticiário, mas respeita uma faixa estreita de preço.

" Está faltando tendência. O mês todo foi muito errático. Falta um gatilho que leve os agentes a tomar novas posições " , resumiu o especialista, indicando que tal avaliação também pode ser extrapolada para a Bovespa e para o dólar.

Weintraub observa que o mercado vinha de meses bastante positivos e agora entrou em período de indefinição, pois falta uma confirmação dessa melhora colocada no preço dos ativos, ou um motivo para correção acentuada. Na agenda do dia, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou a meta de inflação de 2011 em 4,5% e confirmou a de 2010 em igual patamar.

Ao final do pregão, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido da sessão, apontava baixa de 0,02 ponto, para 10,04%, depois de subir a 10,15%. O vencimento para janeiro de 2012 subiu 0,01 ponto, para 11,04%. E janeiro de 2013 projetava 11,72%, avanço de 0,02 ponto.

Entre os curtos, janeiro de 2010 ganhou 0,03 ponto, para 8,80%. O vencimento julho de 2009 também aumentou 0,03 ponto, projetando 9,03%. Agosto de 2009 fechou estável a 9%. E setembro de 2009 subiu 0,02 ponto, para 8,87%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 482.925 contratos, equivalentes a R$ 42,70 bilhões (US$ 12,42 bilhões), alta de 80% sobre o registrado na segunda-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 157.490 contratos, equivalentes a R$ 13,63 bilhões (US$ 6,99 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host