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01/07/2009 - 08h53

Buenos Aires decreta emergência para conter gripe suína

SÃO PAULO - Autoridades da cidade de Buenos Aires e da província de Buenos Aires decretaram ontem estado de emergência sanitária para tentar barrar a disseminação do vírus da gripe suína que já matou 35 pessoas em toda a Argentina. As férias de meio de ano serão antecipadas para a próxima segunda-feira e durarão mais do que o normal.

O prefeito da capital, Maurício Macri, pediu que os moradores - particularmente as crianças - fiquem o mais que puderem em suas casas e que evitem lugares onde haja concentração de pessoas. O governo não impôs nenhuma restrição ao funcionamento de bares, restaurantes, cinemas e shoppings. " Pedimos responsabilidade e colaboração. Solicitamos às pessoas que tenham sintomas que fiquem em casa " , disse Macri. O estado de emergência permite ao governo local realocar - com menos travas burocráticas - verba e profissionais de saúde para se dedicarem ao combate e tratamento da gripe suína e também alterar o calendário escolar sem a aprovação do legislativo.

Horas depois, o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli decretou medidas semelhantes. Outras quatro províncias já haviam declarada emergência por causa da gripe.

O governo brasileiro recomendou na semana passada que brasileiros evitem ou adiem viagens para a Argentina e para o Chile, os dois países com o maior número de casos de pessoas contaminadas com o vírus H1N1 na América do Sul. A Argentina tem 1.587 casos e o Chile, mais de 5.186.

Uma fonte ouvida ontem pelo Valor em Buenos Aires disse que nos últimos dias o número de passageiros em voos para a Argentinas procedentes do Brasil já diminuiu sensivelmente.

O reflexo mais visível da decretação de emergência deverá ser na rotina das escolas. As férias de julho na Argentina, que geralmente duram apenas duas semanas e começam no fim de julho, terão início na próxima segunda-feira nas escolas da capital. As aulas serão retomadas só no dia 3 de agosto.

" Isto não deve ser encarado como férias adicionais. Contamos com a responsabilidade das famílias para evitar novos contágios " , disse Macri. " Estamos preocupados e fazendo o necessário para controlar o vírus. " Ele pediu que a população mantenha a calma.

O governo admite que os hospitais estão tendo alta procura, mas afirma que não estão " saturados " . Muitos dos casos de gripe do vírus H1N1 foram registrados em bairros de classe média baixa, muito populosos, e nas favelas que circundam Buenos Aires. Na segunda-feira, a ministra da Saúde argentina renunciou em meio à multiplicação de casos de gripe no país, após tentar disputas políticas e após tentar sem muito apoio do governo federal administrar medidas para deter o contágio. O aumento do número de pessoas infectadas com a gripe suína na Argentina já tem impacto nas relações comerciais do país. Ontem, circulavam informações de que a Rússia teria suspendido as compras de carne suína da Argentina temendo possível contaminação do produto com o vírus da nova gripe. Os russos ainda teriam tomado a mesma medida em relação ao Chile, onde o número de casos da doença também avançou nos últimos dias. Quando surgiram os primeiros casos de contaminação com o novo vírus nos EUA, a Rússia também proibiu as importações de carnes do mercado americano. A Rússia é o principal mercado para a carne suína do Brasil e adquire mais de 50% do que o país exporta. Até maio, as vendas brasileiras de carne suína para o exterior não foram impactadas pela gripe. Mas há temor, entre exportadores, de que isso ocorra, já que o número de casos da doença disparou no Brasil. Dessa forma, restrições de países importadores não estão descartadas. (Valor Econômico. Colaborou Alda Amaral Rocha)

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