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02/07/2009 - 08h57

Bovespa abre mês com leve alta e dólar cai a R$ 1,929

SÃO PAULO - No balanço geral, julho começou de forma positiva para os mercados brasileiros. Apesar das vendas no final do dia, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiu fechamento em alta. O dólar caiu ante o real e os juros futuros devolveram prêmio de risco.

A agenda de indicadores do dia foi carregada, trazendo dados incongruentes sobre a economia americana, mas houve uma boa absorção dos números. Antes da abertura do pregão, saíram os dados de emprego da ADP. A empresa que processa folhas de pagamento mostrou que o setor privado americano perdeu 473 mil vagas no mês passado, mais do que o esperado. Já os números de maio foram revisados, de corte de 532 mil para redução de 485 mil postos de trabalho.

No segmento industrial, a atividade melhorou, embora tenha ficado abaixo do consenso. O indicador calculado pelo Instituto de Gerentes de Compras (ISM, na sigla em inglês) subiu de 42,8 pontos em maio para 44,8 pontos junho. Sem surpresa, os gastos com construção nos EUA recuaram 0,9% em maio, revertendo alta de 0,6% em abril. Os agentes ainda receberam o índice de venda pendentes de imóveis, que teve leve alta de 0,1% no quinto mês deste ano. Com viés mais definido, os indicadores de atividade na China, Reino Unido e zona do euro apresentaram melhora no mês passado. No caso da China, esse foi quarto mês consecutivo de avanço do índice de gerentes de compras.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o dia tinha contorno bem definido, com o índice se sustentando acima dos 52 mil pontos. No entanto, a perda de força das ações da Petrobras e vendas generalizadas no final da jornada limitaram a valorização do Ibovespa a 0,15%, para 51.543 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 5,57 bilhões. Os papéis ON e PN da Petrobras caíram mais de 2% cada, seguindo a cotação do barril do tipo WTI, que fechou abaixo dos US$ 70 o barril, depois que foi verificado aumento nos estoques dos EUA. Segurando os ganhos do índice, os papéis da Vale e de alguns bancos e siderúrgicas apresentaram avanço. Em Wall Street, as compras também perderam força, mas os ganhos foram mais expressivos. O Dow Jones subiu 0,68%, aos 8.504 pontos. O S & P 500 aumentou 0,44%, para 923 pontos, e o Nasdaq teve elevação de 0,58%, a 1.845 pontos. No câmbio, finda a briga para a formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume), os vendedores voltaram a dar o tom dos negócios, ajudados pela melhora de humor externo.

Ao fim do pregão, o dólar comercial era negociado a R$ 1,927 na compra e R$ 1,929 na venda, queda de 1,78%. O preço é o menor em três semanas. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda teve baixa de 1,68%, encerrando também a R$ 1,929. O giro financeiro na bolsa somou US$ 254 milhões. No interbancário, o volume passou de US$ 2,4 bilhões.

Segundo analista de câmbio da Corretora Liquidez Mário Paiva, a tendência para o dólar segue de baixa. Durante o mês, a taxa deve testar a linha de R$ 1,90, que representa uma grande suporte técnico e psicológico.

" A perspectiva aponta para novas entradas de dólares. Temos ofertas de ações e captação de empresas. As coisas estão voltando ao normal " , resume Paiva, ressaltando a atratividade do país ao investimento externo.

Os investidores também avaliaram os dados do mercado de câmbio apresentados semanalmente pelo Banco Central. Na semana encerrada no dia 26 de junho, o fluxo ficou negativo em US$ 1,607 bilhão. Com isso, no acumulado de junho até o dia 26, as saídas superavam as entradas em R$ 1,227 bilhão.

Mesmo com a quantidade de dólares que sai do mercado superando a que entra, a autoridade monetária continuou com as compras no mercado à vista, embora em volume menor. Na semana terminada no dia 26 do mês passado, as compras somaram US$ 92 milhões, cifra bastante inferior aos US$ 242 milhões tomados na semana anterior. No acumulado do mês de junho, até o dia 26, as intervenções somavam US$ 1,689 bilhão. Ainda ontem, foi divulgado que o saldo comercial de junho ficou superavitário em US$ 4,625 bilhões, melhor resultado desde dezembro de 2006. A sobra refletiu exportações de US$ 14,468 bilhões contra importações de US$ 9,843 bilhões. Com tal resultado, o superávit comercial no primeiro semestre foi de US$ 13,937 bilhões. Olhando esses números, parece que a crise teve pouco impacto sobre o comércio externo brasileiro. Mas tal quadro ganha outro contorno quando se analisa a corrente de comércio (exportações mais importações). Nos seis primeiros meses, a corrente de comércio somou US$ 24,311 bilhões, o que representa uma queda de 29,4% em comparação com o primeiro semestre de 2008.

Como ressaltou a consultoria UpTrend, esses números evidenciam os efeitos da crise no comércio brasileiro, com queda na demanda externa por produtos brasileiros e recuo na demanda interna por produtos importados. Os contratos de juros futuros, especialmente os longos, encerraram a quarta-feira com viés de baixa BM & F. Para o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, o aumento nas posições vendidas seguiu a divulgação de dados positivos de inflação e também refletiu o ambiente externo marcado pela menor aversão ao risco. Além disso, diz o especialista, havia espaço para uma correção de baixa, depois do acumulo de prêmios nas últimas sessões. Ampliando a análise, o economista ressalta que o mercado de juros futuros continua sem tendência definida. A principal questão para a formação da curva continua sem resposta: se e quando o Banco Central pode voltar a subir a taxa de juros.

" O mercado está confiante em mais uma queda de juros agora em julho. A questão é se terá ou não um ciclo de alta no ano que vem, por isso dessa instabilidade nos contratos mais longos " , explica. Ao fim do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido da sessão, apontava baixa de 0,06 ponto, para 9,96%. O vencimento para janeiro de 2012 caiu 0,10 ponto, para 10,95%. E janeiro de 2013 projetava 11,60%, desvalorização de 0,10 ponto.

Entre os contratos curtos, janeiro de 2010 devolveu 0,01 ponto, para a 8,78%. Destoando, o vencimento agosto de 2009 subiu 0,01 ponto, a 9,01%. Setembro de 2009 também avançou 0,01 ponto, para 8,88%. E outubro de 2009 fechou estável a 8,82%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 403.620 contratos, equivalentes a R$ 36,50 bilhões (US$ 18,70 bilhões), queda de 16% sobre o registrado na terça-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 139.820 contratos, equivalentes a R$ 12,11 bilhões (US$ 6,20 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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