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01/09/2009 - 08h39

Bovespa cai, mas garante alta em agosto; dólar sobe pelo 6º dia

SÃO PAULO - A segunda-feira acabou de forma negativa para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou em queda, mas ainda garantiu valorização para o mês de agosto. No câmbio, a instabilidade foi grande e as compras prevaleceram pelo sexto pregão consecutivo. Já no mercado de juros futuros, os contratos passaram por ajuste de baixa, mas o volume negociado foi pouco expressivo. O tom negativo já prevalecia antes mesmo do começo dos negócios. Repetindo um filme já exibido algumas vezes durante agosto, a preocupação com o crédito na China estimulou uma forte correção de preços. O Shanghai Composite, da Bolsa de Xangai, afundou 6,74%. Já o índice Shenzhen perdeu 7,1%. Essas perdas não ficaram restritas à Ásia - pegaram, também, o mercado de commodities e derrubaram preços na Europa e nos Estados Unidos.

Os investidores receberam um golpe do mercado local. Ainda pela manhã, a Petrobras divulgou o novo modelo regulatório de exploração e produção de petróleo. A principal incerteza envolve o tamanho e a forma de um aporte de capital que a União fará na estatal.

Temendo grande diluição de sua participação, os agentes venderam os papéis da Petrobras. A ação PN caiu 3,59%, para fechar aos R$ 31,38, com mais de R$ 1 bilhão em negócios. O ativo ON recuou 4,47%, para R$ 37,53. Cabe destacar que os ativos ainda fecharam acima das mínimas.

A junção dos dois eventos resultou em perda de 2,10% para o Ibovespa, que encerrou o dia apontando 56.488 pontos. O giro financeiro somou US$ 5,67 bilhões. Apesar de marcar três pregões seguidos de recuo, o índice ainda fechou agosto com elevação de 3,15%. Para o mês que começa hoje, o diretor responsável pela área de análises da Petra Personal Trader, Ricardo Binelli, não enxerga muitas modificações de cenário, salvo o recebimento do grau de investimento pela Moody´s.

" Não tem como inverter o fluxo de notícias positivas. O que vier a acontecer tende a ser, de fato, realização de lucro e deve ser encarado como oportunidade de entrada. " Já o diretor da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira, acredita que o mercado continuará bom, já que o pano de fundo é composto pela melhora da economia global. " O quadro é bom, mas o mercado é feito de altas e baixas " , ponderou. Outro ponto destacado por Bandeira e que ajuda na expectativa de tom positivo até o final do ano é a contínua entrada de recursos externos. Em agosto, até o dia 26, o saldo de negociação do não resistente somava R$ 2,47 bilhões. Isto eleva o saldo do ano para R$ 14,78 bilhões.

No mercado de câmbio, a formação da taxa também sofreu influência da sinalização externa, mas foi a formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) que movimentou o pregão. Segundo o analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, os estrangeiros deram maior movimentação nesta formação de Ptax, pois carregavam posições compradas no mercado futuro, ou seja, apostavam na apreciação do dólar.

Na máxima da manhã, a moeda testou R$ 1,905 - preço não registrado em mais de um mês -, para depois cair a R$ 1,869 à tarde. No fim do dia, o dólar comercial encerrou valendo R$ 1,888 na compra e R$ 1,890 na venda, alta de 0,42%. Com isso, a moeda fechou o mês com ganho de 1,34%, embora o tombo no ano ainda seja de 19,02%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa ganhou 0,45%, para fechar, também, a R$ 1,890. O giro financeiro somou US$ 372,75 milhões. Já no interbancário, o volume mais que dobrou, para US$ 2,3 bilhões.

Outra explicação para o aumento de preço que correu pelas mesas de operação aponta a existência de algumas opções no mercado externo com liquidação na linha de R$ 1,90. " Essa puxada de preço nas últimas sessões foi para que essas opções fossem exercidas " , diz operador que prefere não se identificar.

No mercado de juros futuros, o dia foi de ajuste, depois da acentuada alta no fim da semana passada. Mas a queda nos prêmios de risco perdeu importância em função do baixo volume negociado do dia. Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, o mercado também se ajusta antes da decisão de juros do Banco Central (BC). Para o especialista, a taxa deve permanecer estável em 8,75% ao ano, com a possibilidade de algum voto dissidente.

O gestor nota que, apesar da existência de condições técnicas para um corte de 0,25 ponto percentual, a posição mais adequada seria mesmo a manutenção, dado que a economia global dá sinais de maior aquecimento. " Pela primeira vez o mercado torce pela manutenção " complementou o especialista, indicando que um corte de 0,25 ponto poderia ser encarado como manobra política, o que poderia resultar em alta nas taxas futuras. Passada a decisão, que será apresentada ao mercado na noite de quarta-feira, Petrassi acredita que a curva longa poderá ter um novo movimento de baixa, pois não faz sentido trabalhar com expectativa de elevação de juros já no começo de 2010.

Mais indicadores econômicos apontaram aceleração no ritmo de atividade no mercado doméstico. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a produção industrial subiu 2,2% em julho, contra junho, superando as previsões que sugeriam crescimento de 1,5%. Foi a sétima expansão consecutiva. No comparativo anual, a queda ficou em 9,9%.

Já o Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 6,2% na passagem de julho para agosto, marcando 105,7 pontos, maior leitura desde setembro de 2008. O ponto mais destacado da sondagem da FGV é o aumento na utilização da capacidade instalada, que saiu de 79,8% em julho para 81,3% agora em agosto. Desde novembro do ano passado, tal indicador não superava a linha de 80%.

Ao fim do pregão, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do pregão, apontava baixa de 0,05 ponto, a 9,72%, depois de subir a 9,83% na máxima da manhã. O vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,02 ponto, para 11,06%. E janeiro de 2013 projetava 11,75%, desvalorização de 0,04 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 recuou 0,01 ponto, a 8,62%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, caiu de 0,03 ponto, projetando 8,98%. E outubro de 2009 devolveu 0,02 ponto, a 8,59%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 257.225 contratos, equivalentes a R$ 22,29 bilhões (US$ 11,89 bilhões), metade do registrado na sexta-feira passada. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 117.935 contratos, equivalentes a R$ 10,41 bilhões (US$ 5,55 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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