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01/09/2009 - 08h50

Cetelem aumenta lucro líquido em 150%

SÃO PAULO - Uma ampla reestruturação permitiu à Cetelem, a financeira do grupo francês BNP Paribas, aumentar em 150% o resultado do primeiro semestre deste ano, para R$ 18,12 milhões, em comparação com os R$ 7,246 milhões obtidos em igual período de 2008. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido de R$ 325,6 milhões ficou em 11,4%.

" Fizemos uma grande reestruturação que implicou a reavaliação de parcerias e de todas as operações. Deixamos tudo que era deficitário e reduzimos os custos " , sintetizou o diretor executivo de finanças e de tecnologia da informação da Cetelem, Franck Vignard-Rosez. A eliminação das operações deficitárias melhorou a qualidade da carteira de crédito da Cetelem e permitiu redução a praticamente a metade das despesas com provisões para devedores duvidosos, de R$ 100,5 milhões no primeiro semestre de 2008 para R$ 53,9 milhões nos primeiros seis meses deste ano. O saldo das provisões ficou praticamente estável em R$ 163,5 milhões.

A redução das despesas com provisões melhorou o resultado bruto da intermediação financeira da Cetelem, de R$ 69,5 milhões no primeiro semestre de 2008 para R$ 136,5 milhões em igual período deste ano.

Além disso, a instituição reduziu o limite dos piores clientes e aumentou o dos melhores. Segundo Vignard-Rosez, as operações com atraso acima de 90 dias estão 30% abaixo do patamar do mercado. Segundo o balanço divulgado, essas operações representavam 0,8% da carteira em junho passado. A carteira total de crédito fechou o semestre em R$ 3,682 bilhões, 11,1% inferior à registrada em junho de 2008. A redução, explicou Vignard-Rosez, é consequência da diminuição das compras de carteira. O grupo francês adquiriu o Banco BGN, especializado em crédito consignado, no ano passado, com o objetivo de reduzir as compras de carteiras de outras instituições e produzir as próprias operações. Com isso, a carteira total decresceu. Se forem excluídas as compras de carteira nos dois períodos, o número ficou estável.

A reestruturação atingiu também o BGN cuja rede de agências foi reduzida pela metade, de 110 para 50. No total, o grupo cortou o quadro de funcionários em 700 pessoas para 2,3 mil, somando Cetelem e BGN, metade em cada uma das duas instituições. Com o ajuste, o BGN saiu do prejuízo (R$ 46 milhões no segundo semestre de 2008) para o equilíbrio no primeiro semestre deste ano. O balanço do BGN ainda não está consolidado no resultado da Cetelem.

Houve alguns destaques. A carteira de consignado cresceu 50%, de R$ 650 milhões para R$ 975 milhões; a de veículos saiu do zero para R$ 100 milhões; e a de cartão de crédito está " bombando " , disse Vignard-Rosez. Em novembro do ano passado, a Cetelem fechou acordo com a MasterCard e a Redecard que ampliou o uso dos cartões de sua bandeira, a Aura. O acordo permitiu que os cartões Aura passassem a serem aceitos nos terminais da Redecard, que cobrem 1,5 milhão de estabelecimentos comerciais. O acordo prevê também a conversão atual da base de mais de 3 milhões de cartões Aura em cartões co-branded Aura-MasterCard nos próximos cinco anos. Isso aumentou em 91% o faturamento do Aura. A reestruturação já está concluída, disse o executivo, mas a Cetelem continua mirando a redução de custos e, por isso, está revendo seus processos e aplicando a técnica dos " seis sigmas " . Segundo ele, " o segundo semestre deste ano será melhor que o segundo de 2008. Já estamos vendo isso em julho e agosto, tanto em cartões, cujo faturamento dobrou, e também no consignado cujo volume está maior " (Maria Christina Carvalho | Valor Econômico)

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