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01/09/2009 - 16h23

DIs voltam a cair, refletindo preocupação com cena externa

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros registraram mais um pregão de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Para o estrategista da CM Capital Market, Marcelo Portilho, as curvas refletem, em parte, o ressurgimento de algumas preocupações quanto ao ritmo de crescimento mundial em função de uma desaceleração da economia chinesa.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do pregão, apontava baixa de 0,07 ponto, a 9,67%. O vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,03 ponto, para 11,05%. E janeiro de 2013 projetava 11,76%, desvalorização de 0,03 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 recuou 0,04 ponto, a 8,59%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, caiu de 0,09 ponto, projetando 8,92%. E outubro de 2009 devolveu 0,01 ponto, a 8,59%.

O volume negociado apresentou melhora depois de um tímido começo de semana. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 469.620 contratos, equivalentes a R$ 43,01 bilhões (US$ 22,80 bilhões), alta de 83% sobre registrado ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 140.735 contratos, equivalentes a R$ 12,44 bilhões (US$ 6,59 bilhões).

Segundo o especialista da CM Capital Market, caso a economia chinesa venha a apresentar um menor ritmo de recuperação, a retomada na atividade global também perde um pouco de fôlego. "Mas vejo isso com bons olhos. É melhor a China ponderar o estímulo e evitar o surgimento de bolhas do que estimular demais e ter que lidar com problemas mais sérios", explica.

Ainda de acordo com Portilho, há certa insegurança generalizada quanto ao atual movimento de correção de preços nos ativos financeiros. Não se sabe, ainda, se é apenas uma realização de lucros ou se "algum cadáver vai aparecer boiando".

Mudando o foco para a condução da política monetária no mercado doméstico, o estrategista reafirma a expectativa de estabilidade da taxa Selic em 8,75% ao ano.

Portilho também aponta que tal patamar de taxa deve ser mantido até julho do ano que vem. Portanto a curva atual ainda apresenta uma inclinação um tanto acentuada. Para ilustrar tal percepção, o estrategista compara as projeções do boletim Focus com a curva, e aponta que enquanto o consenso de mercado sugere alta de 0,5 ponto percentual na Selic em 2010, a curva futura precifica mais de 3 pontos percentuais. "Vemos oportunidade de ficar dado em DI. Tem de 50 a 60 pontos base para se ganhar." (Eduardo Campos | Valor Online)

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