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01/09/2009 - 14h44

Dólar segue abaixo da barreira informal de R$ 1,75

SÃO PAULO - O movimento vendedor ainda predomina no mercado de câmbio local e o preço da divisa americana continua abaixo do piso informal de R$ 1,75. Por volta das 12h15, o dólar comercial observava queda de 0,91%, cotado a R$ 1,739 na compra e a R$ 1,741 na venda. Na mínima, foi a 1,739.

No mercado futuro, o contrato de outubro negociado na BM & F declinava 0,84%, saindo a R$ 1,751.

Para o diretor da Global Hedging, Wolfgang Walter, o preço do dólar comercial poderia ter caído ainda mais, não fosse a expectativa entre os agentes de uma intervenção mais forte por parte do Banco Central para amenizar um pouco a desvalorização da moeda. "Este patamar prejudica a indústria e é esperado que o BC faça algo", lembra. O BC dispõe de várias ferramentas para enxugar a liquidez no mercado. Pode aumentar o volume de compras no mercado à vista, passar a fazer dois leilões por dia ou realizar o swap cambial reverso, por exemplo. Neste caso, investidores vendidos no curto prazo buscariam repor suas posições, por meio da compra de dólares, e o preço no mínimo poderia voltar ao patamar de R$ 1,75. "Mas, para quem está vendido no longo prazo, não há tanto risco", explica Walter. No entanto, em sua opinião, se for confirmada a capitalização da Petrobras, "será muito difícil manter o suporte de R$ 1,75, daqui para frente". Ele lembra também que a política adotada pelo governo é de câmbio flutuante, de maneira que não necessariamente o BC tentará impedir o dólar de ficar abaixo de R$ 1,75. "O que se tenta é mitigar um pouco as oscilações mais bruscas da divisa", diz.

É fácil entender este patamar para o dólar ao analisar o mês de agosto. Além de ser um período de férias no hemisfério norte, foi divulgada uma série de dados nos Estados Unidos que indicaram que as expectativas do mercado para o crescimento da economia mundial neste ano serão frustradas, explica Walter.

O Ibovespa encerrou agosto com perda de 3,51%. O Dow Jones acumulou queda de 4,3%, configurando o pior mês de agosto desde 2001. O S & P 500, por sua vez, declinou 4,8%, enquanto a bolsa eletrônica cedeu 6,2%. Já o petróleo perdeu 8,9%, encerrando agosto na linha dos US$ 71,92. Por outro lado, o ouro, ativo muito procurado em períodos de incerteza, ganhou 5,6% em Nova York.

"Agosto foi um mês de correção das expectativas no mercado. Agora, acredito que um panorama não de crise ou recessão, mas de crescimento modesto, já foi precificado nos ativos, de forma que podemos, daqui para frente, olhar os negócios de forma mais positiva", explica o diretor da Global Hedging.

Hoje foram divulgados inúmeros dados nos Estados Unidos. Alguns superaram o consenso do mercado, enquanto outros deixaram a desejar. O indicador que mede o desempenho da atividade manufatureira nos EUA, calculado pelo ISM, por exemplo, surpreendeu positivamente, ao subir de 55,5 para 56,3, entre julho e agosto.

Por outro lado, o gasto com construção nos EUA caiu 1% em julho em relação a junho, segundo o Departamento do Comércio do país. Os analistas projetavam uma retração menos acentuada.

Um dado que teve grande repercussão no mercado veio da China. O Índice dos Gerentes de Compra (PMI, na sigla em inglês) do setor manufatureiro subiu de 51,2 pontos em julho para 51,7 pontos em agosto, revertendo a tendência de contração verificada nos últimos meses e superando a estimativa de analistas.

O cenário hoje é de euro com alta de mais de 1% ante o dólar, cotado a US$ 1,2813 e commodities também com valorização. Minutos atrás, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities tinha alta de 1,15%. Em Wall Street, os índices Dow Jones e S & P 500 subiam 2,3% e 2,7%, respectivamente. Por aqui, o Ibovespa tinha apreciação de 2,78%.

(Karin Sato | Valor)
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