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02/09/2009 - 08h23

Bovespa perdeu os 56 mil pontos e dólar valeu mais de R$ 1,90

SÃO PAULO - Além do ambiente de realização de lucros já identificado no fim de agosto, setembro começou com outro viés negativo bem conhecido pelo mercado. Os agentes voltaram a identificar preocupações com o setor financeiro, mais notadamente na Europa.

O índice de volatilidade VIX, negociado no mercado americano, captou bem esse temor dos agentes, disparando 12,1%, para 29,15, maior leitura desde o começo de julho. Já no campo econômico, o tom é outro. A economia americana deu mais um sinal de que está saindo da recessão. Pela primeira vez desde janeiro de 2008, a atividade industrial registrou expansão. O índice de atividade subiu de 48,9 em julho para 52,9 em agosto. Vale lembrar que leituras acima dos 50 pontos indicam crescimento da atividade. Logo após a divulgação do indicador, os índices acionários registraram as máximas, as commodities ganharam valor e o dólar apontou para baixo. Mas esse quadro não durou muito tempo: a preocupação dos agentes com novos problemas entre os bancos levou a uma acentuada mudança de posição.

O estrategista da CM Capital Market, Marcelo Portilho, observou que foi possível perceber uma insegurança generalizada quanto ao atual movimento de correção de preços nos ativos financeiros. Não se sabe, ainda, se é apenas uma realização de lucros ou se " algum cadáver vai aparecer boiando " .

O gerente de operações da B & T Associados Corretora de Câmbio, Marcos Trabbold, também apontou que o ambiente de negócios estava pontuado por rumores de que o cenário pode voltar a piorar. Existe até uma lembrança negativa com o mês de setembro, que, em 2008, marcou a fase mais aguda da crise, com a falência do Lehman Brothers. " Pode chamar do que quiser, mas, para mim, é tudo especulação mesmo " , resumiu.

Depois de ensaiar alta pela manhã, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) firmou posição em território negativo, perdendo os 56 mil pontos pela primeira vez em 15 dias. O Ibovespa caiu 1,19%, fechando a 55.814 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,35 bilhões. A queda não foi ainda maior em função da alta no papel PN da Petrobras, que subiu 0,70%, recuperando parte das perdas da segunda-feira.

Em Wall Street, as vendas foram mais acentuadas. O Dow Jones caiu 1,96%, para 9.310 pontos. O S & P 500 recuou 2,21%, para 998 pontos, perdendo os 1.000 pontos pela primeira vez desde 19 de agosto. O Nasdaq devolveu 2%, a 1.968 pontos.

No câmbio, o dólar comercial fechou a terça-feira apreciado contra o real, retomando a linha de R$ 1,90 perdida no final de julho. Vale lembrar, também, que esse foi o sétimo dia seguido de alta no preço da moeda americana, sequência não observada desde agosto do ano passado. Nesse período, o preço do dólar já subiu 4,04%.

O dólar chegou a cair a R$ 1,867, mas encerrou a jornada com valorização de 0,79%, a R$ 1,903 na compra e a R$ 1,905 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a divisa ganhou 0,74%, para fechar a R$ 1,904. O giro financeiro somou US$ 359,25 milhões. Já no interbancário, o volume permaneceu elevado, superando US$ 2,4 bilhões.

No mercado de juros futuros, os contratos deram continuidade ao ajuste de baixa iniciado na segunda-feira. O cenário externo conturbado e sinais de que o ritmo de crescimento na China deve desacelerar contribuíram para o aumento nas posições vendidas. Ao fim do pregão, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do pregão, apontava baixa de 0,07 ponto, a 9,67%. O vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,03 ponto, para 11,05%. E janeiro de 2013 projetava 11,76%, desvalorização de 0,03 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 recuou 0,04 ponto, a 8,59%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, caiu 0,09 ponto, projetando 8,92%. E outubro de 2009 devolveu 0,01 ponto, a 8,59%.

O volume negociado apresentou melhora depois de um tímido começo de semana. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 469.620 contratos, equivalentes a R$ 43,01 bilhões (US$ 22,80 bilhões), alta de 83% sobre registrado na segunda-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 140.735 contratos, equivalentes a R$ 12,44 bilhões (US$ 6,59 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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