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02/09/2009 - 14h41

Dólar segue em queda e já vale menos de R$ 1,74

SÃO PAULO - Os vendedores continuam ditando o rumo do mercado de câmbio interno, nesta quinta-feira. Há pouco, o dólar comercial registrava baixa de 0,62% ante o real, cotado a R$ 1,734 na compra e a R$ 1,736 na venda, mínima do dia até o momento.

Desde ontem, o dólar comercial está abaixo do piso informal de R$ 1,75. De acordo com o gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor, Rodrigo Nassar, a dúvida, pela manhã, dizia respeito à cotação da moeda no mercado futuro. Mas o contrato de outubro negociado na BM & F já rompeu essa barreira, e há pouco, estava saindo a R$ 1,746, desvalorização de 0,62%.

Na quarta-feira à noite, foi anunciado que o governo vai capitalizar a Petrobras com o equivalente a US$ 42,5 bilhões, para que a companhia possa explorar o pré-sal. A cifra é a soma dos preços dos 5 bilhões de barris de petróleo que a União vai vender à estatal, calculados por consultorias contratadas. Foram considerados preços diferentes para as áreas de exploração, que variaram de US$ 5,82 a US$ 9,04 por barril. O preço médio ficou em US$ 8,51.

O cronograma da aguardada capitalização foi mantido e a previsão é de que ocorra até 30 de setembro. A Petrobras não informou o valor total da operação. Detalhes da oferta devem ser publicados pela estatal amanhã.

Nassar afirmou que as últimas notícias referentes à Petrobras não surpreenderam o mercado. "Os agentes já trabalhavam com a perspectiva de que a capitalização ocorreria em setembro, de forma que a operação já tinha sido precificada", lembrou.
Para o gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor, a tendência, de agora em diante, é de dólar em queda. Com a operação da Petrobras, entrará uma "enxurrada de dólares no país", em suas palavras. E isso se soma a uma cesta de fatores que estão pressionando a moeda americana para baixo, como os altos juros, os investimentos que estão sendo feitos no país e a melhora da economia brasileira.

"O que está segurando um pouco o dólar é o temor entre operadores de que, a qualquer momento, o BC anuncie um leilão de swap cambial reverso (compra de dólares no mercado futuro). Isso assustaria o mercado e criaria um novo piso psicológico para a moeda americana. Porém, para mim, esta seria apenas uma medida paliativa. Não seria o suficiente para reverter a tendência no câmbio", afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de a autoridade monetária passar a realizar dois leilões de compra de dólares no mercado à vista, Nassar opinou que a medida também teria pouca eficácia. "Não supriria o fluxo de recursos", disse.

Entre os indicadores do dia, a Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos Estados Unidos (NAR, na sigla em inglês) divulgou que as vendas pendentes de moradias nos Estados Unidos mostraram um aumento de 5,2% em julho, em relação a junho. O resultado surpreendeu positivamente, já que parte dos analistas apostava em queda.

Por outro lado, os novos pedidos às fábricas nos EUA aumentaram 0,1% em julho, percentual ligeiramente abaixo do consenso do mercado. O dado foi divulgado pelo Departamento do Comércio do país. Sem considerar transportes, as encomendas declinaram 1,5%.

O mercado de câmbio interno está acompanhando as bolsas em Wall Street. Minutos atrás, os índices Dow Jones e S & P 500 tinham alta de 0,25% e 0,56%, respectivamente. No câmbio externo, o euro ganhava do dólar, cotado a US$ 1,2817.

(Karin Sato | Valor)
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