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02/09/2009 - 11h01

Câmbio faz Marcopolo revisar projeção para baixo

PORTO ALEGRE - No mesmo dia em que revisou para baixo as projeções de desempenho para o ano, a Marcopolo anunciou ontem que passará a pagar juros sobre o capital próprio aos acionistas a cada três meses. Os primeiros pagamentos serão feitos nos dias 30 deste mês e em 30 de dezembro, à razão de R$ 0,06 por ação ordinária e preferencial, um valor bruto de R$ 13,4 milhões em cada uma dessas datas, disse Carlos Zignani, diretor de relações com investidores da fabricante de carrocerias de ônibus.

" Havia uma demanda de muito tempo dos acionistas " , explicou. A empresa pagava dividendos anuais e espera que a iniciativa seja reconhecida pelo mercado com o aumento do volume de negócios e a valorização de suas ações na Bovespa. O pagamento de juros sobre capital próprio também gera ganhos fiscais porque pode ser deduzido do Imposto de Renda.

Segundo Zignani, apesar da queda na produção e na receita no primeiro semestre, a situação financeira da companhia é " confortável " . A empresa encerrou o segundo trimestre com caixa de R$ 333,1 milhões, 11% acima do trimestre anterior, enquanto a dívida líquida do segmento industrial (excluídas as operações do Banco Moneo) caiu 32% no período, para R$ 239 milhões, o equivalente a 0,8 vez o lajida acumulado em 12 meses.
Para o acumulado do ano, a Marcopolo reduziu de R$ 2,6 bilhões para R$ 2,3 bilhões a previsão de receita líquida consolidada e de 23 mil para 21 mil unidades a produção de carrocerias no Brasil e no exterior. A nova projeção fica abaixo do desempenho apurado em 2008, quando a receita alcançou R$ 2,5 bilhões e a produção chegou a 21,8 mil unidades.

O executivo explicou que a revisão deveu-se principalmente à retração da receita com exportações em função da valorização do real, sobretudo no segundo trimestre. As vendas no Brasil também ficaram aquém do esperado e apesar dos sinais de reação a partir de agosto não há como recuperar os negócios que foram perdidos até então. " O segundo semestre do ano passado havia sido muito bom, mesmo de outubro a dezembro em função da carteira de pedidos elevada, o que também prejudica a base de comparação " , disse.

A Marcopolo admite vender a fábrica de Coimbra, em Portugal, desativada no mês passado em função da fraca demanda na Europa. " Mas até agora não surgiram interessados. " A decisão sobre a reativação da operação na Rússia, parada desde dezembro por conta dos efeitos da crise econômica, será tomada neste mês.

(Sérgio Bueno | Valor Econômico)

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