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02/09/2009 - 12h51

Petrobras e construtoras são destaques na Bovespa

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) continuam oscilando em território negativo, marcando o quinto pregão seguido de baixa. No entanto, como o observado ontem, a valorização nas ações da Petrobras limita o tamanho da queda. Por volta das 12h45, o Ibovespa registrava baixa de 0,33%, aos 55.629 pontos, com giro financeiro em R$ 2,39 bilhões.

Em Wall Street, os índices buscam direção depois um começo de pregão marcado pelo tom negativo. Há pouco, o Dow Jones subia 0,06% enquanto o Nasdaq ganhava 0,18%. Pela manhã, os agentes receberam os dados de emprego da ADP. A empresa que processa folhas de pagamento registrou o fechamento de 298 mil vagas no setor privado americano em agosto, resultado acima do esperado.

Contrariando também as expectativas, as encomendas por bens duráveis cresceram 1,3% em julho. O resultado ficou abaixo do estimado pelos analistas, de alta de 1,5% a 2%. Agora à tarde, o foco está voltado para a ata do Federal Reserve (Fed), banco central americano. De volta ao mercado local, o papel da Petrobras segue em recuperação, depois da acentuada queda registrada na segunda-feira. Há pouco, o papel PN ganhava 2,05%, a R$ 32,25, enquanto o ON aumentava 1,31%, negociado a R$ 37,82. Os investidores remontam posições conforme saem novas explicações sobre o processo de capitalização da empresa. A ideia é casar o processo com a cessão onerosa de até 5 bilhões de barris que a união fará à companhia. Fora isso, diversas casas de investimento soltaram relatórios recomendando compra dos papéis.

Segundo o economista da UM Investimentos, Hersz Ferman, a principal dúvida envolvendo a capitalização da Petrobras permanece: Qual será o preço do barril utilizado nesse aumento de capital do governo?.

Fora isso, diz o especialista, o que causa certo desconforto é que, enquanto os minoritário terão que dar dinheiro para manter sua participação no capital da empresa, o governo estará recebendo ações na companhia e dando em troca barris de óleo que ainda não existem.

Ainda no campo corporativo, Ferman chama atenção para as construtoras, que caem de forma acentuada em meio aos anúncios de emissão de ações. Ontem, PDG e Rossi anunciaram novas colocações. Segundo o especialista, a venda de papéis não é algo negativo, mas o mercado se preocupa em função do grande número de papéis que ficará circulando. Fora isso, sempre que uma empresa anuncia venda de novas ações e o preço desses títulos será definido via mercado, é natural que os agentes vendam as ações agora, deprimindo o preço, para tentar recomprar depois a um preço menor.

Liderando as perdas dentro do índice, Rossi ON caía 5,57%, para R$ 10,84. A empresa anunciou uma nova oferta de ações de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões. Ainda no setor, segue a realização de lucros nos papéis que mais subiram no ano. Gafisa ON recuava 4,78%, a R$ 25,09, e Cyrela ON perdia 4,16%, a R$ 21,18. Fora do índice, atenção para os ativos da Agra, Abyara e Klabin Segall. As três vão unificar suas operações criando a Agre, empresa que já nasce entre as três maiores do setor. Ferman avalia a associação de forma positiva, pois o segmento é muito pulverizado e esse tipo de operação dará maior musculatura para as empresas, que ganham poder de barganha e sinergia das operações.

Há pouco, o papel ON da Klabin Segall disparava 9,26%, a R$ 4,48. Abyara ON subia 3,76%, a R$ 4,41, enquanto Agra ON caía 8,53%, a R$ 4,61.

A criação a Agre é mais um passo do investidor espanhol Enrique Bañuelos, que detém o controle ou participação relevante nas três companhias por meio da Veremonte Participações.

A relação de troca proposta pelos administradores é a seguinte. Uma ação da Agre para cada 5,18 papéis da Abyara; uma ação da Agre para cada 4,85 papéis da Agra e uma ação da Agre para cada 4,77 ações da Klabin Segall.

Ampliando a análise, o economista aponta que o ambiente de negócios ainda está contaminado pelas incertezas envolvendo a economia chinesa. Fala-se muito em bolhas tanto no setor imobiliário quanto no mercado acionário do país e essas incertezas chegam ao mercado brasileiro via commodities e correlação entre emergentes.

De volta ao front corporativo, Vale PNA aumentava 0,64%, a R$ 32,79. Entre as siderúrgicas, Usiminas PNA perdia 0,41%, a R$ 43,47, enquanto CSN ON aumentava 0,59%, a R$ 48,89. Falta direção, também, entre os bancos. Itaú Unibanco PN declinava 0,48%, para R$ 30,90, mas Banco do Brasil ON aumentava 0,97%, a R$ 26,00.

No câmbio, a volatilidade é bastante acentuada. Depois de subir a R$ 1,923 pela manhã, o dólar volta a perder valor para o real. A alta no preço das commodities e a valorização de outras moedas ante a divisa americana ajudam a explicar a mudança de rumo no mercado. Há pouco, a moeda era negociada a R$ 1,896 na venda, queda de 0,47%.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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