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02/09/2009 - 12h10

Petrobras quer casar capitalização e cessão onerosa para cortar riscos

RIO - A Petrobras espera que a capitalização da empresa e a cessão onerosa de até 5 bilhões de barris à companhia sejam casadas, de forma a evitar problemas de variação de preço dos títulos do Tesouro que deverão ser usados para pagar a participação da União em ambas operações. Em teleconferência com analistas, o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, ressaltou que os títulos utilizados serão marcados a mercado, o que implica um risco de variação caso as operações aconteçam com grande diferença de tempo.

" O objetivo da operação é ser casada. O valor do título é marcado a mercado; portanto, tem o risco de variação do valor do título e o acesso a essas reservas será trocado da maneira mais rápida possível para minimizar esse risco, mas esse risco existe " , frisou Gabrielli.

Nos projetos de lei enviados pelo governo ao Congresso está prevista a capitalização da Petrobras pela União, com valor equivalente a 5 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). A proposta que será apreciada pelos parlamentares diz que essa capitalização poderá ser paga com títulos públicos e prevê ainda a cessão onerosa, para a Petrobras, de até 5 bilhões de barris que hoje estão em áreas não concedidas do pré-sal. Na prática, a estatal pagará a cessão onerosa com os mesmos títulos que terá recebido da União no processo de capitalização e, em caso de variação de preços dos papéis, ajustes serão necessários no ato do pagamento.

Em relação aos valores dessa capitalização, Gabrielli explicou que tudo dependerá da valoração que for feita dos barris que serão cedidos à companhia. Sem dar pistas de quanto poderá ser pago pelo barril, o executivo afirmou que, no primeiro semestre deste ano, 41 transações deste tipo - com valoração do petróleo situado ainda nos reservatórios - foram realizadas pela indústria em todo o mundo.

" A indústria tem prática de fazer avaliação de valor do petróleo no subsolo. Avaliação tende a ser mais conservadora, na medida em que há menor conhecimento das áreas " , destacou, lembrando que haverá uma revisão do valor em até 24 meses depois de assinado o contrato.

Caso a área concedida diretamente para a Petrobras não possua os 5 bilhões de barris estimados, a União vai ressarcir a estatal ou vai destinar à companhia outras regiões até que se atinja o volume de 5 bilhões de barris. Se a região entregue à empresa possuir mais de 5 bilhões de barris, o que for produzido a mais será da União.

" Não tem risco de volume. Tem risco só do preço que será determinado no período do contrato " , afirmou Gabrielli.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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