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03/09/2009 - 16h03

Excesso de renda variável pode impedir Previ de capitalizar Petrobras

RIO - A necessidade de reduzir a exposição em renda variável pode ser o principal entrave para que a Previ acompanhe o aumento de capital que será feito na Petrobras.

De acordo com o diretor de participações do fundo de pensão, Joilson Ferreira, a Previ ainda não analisou os detalhes da capitalização, mas avisou que tem musculatura financeira suficiente para acompanhar o aumento de capital.

Ele explicou que o fundo tem cerca de 2% do capital da Petrobras, o equivalente a cerca de R$ 8 bilhões, o que o transforma no maior minoritário da petroleira depois do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Atualmente, a Previ tem uma carteira de R$ 129 bilhões em ativos, dos quais R$ 78 bilhões em renda variável, e essa exposição excessiva no mercado de ações pode ser, segundo Joilson, um limitador na participação do fundo na operação para capitalizar a Petrobras.

"Nosso problema é o desenquadramento. Para a Previ, teoricamente é possível (acompanhar a oferta), pois a Previ tem recursos", afirmou Joilson. "Mas temos a questão do desenquadramento e é isso que a gente precisa considerar", acrescentou, garantindo que, até o momento, a diretoria da Previ não analisou a proposta de capitalização anunciada na segunda-feira pelo governo. A regulamentação do setor limita as aplicações em renda variável a 50% do total e a Previ tem até 2014 para se re-enquadrar. O representante da Previ participou de seminário organizado pela BM & FBovespa sobre o Novo Mercado, no Rio de Janeiro. Segundo ele, a instituição tem sugestões que poderiam ser adotadas por empresas listadas neste nível da Bolsa. Uma das propostas da Previ diz respeito à divulgação dos rendimentos dos executivos em empresas. Atualmente, a Previ recomenda que sejam divulgados os volumes totais de diretores e conselheiros. Pela nova proposta do fundo de pensão, haveria uma separação, deixando claro o que foi pago aos conselheiros, aos diretores e aos integrantes do conselho fiscal, com explicação, inclusive, sobre o que foi rendimento fixo e o que foi variável.

Segundo Joilson, este é o primeiro passo para que, no futuro, seja explicitado quanto cada executivo ganhou. "É um passo em direção ao que é inevitável, que é ter no futuro o rendimento individual", disse.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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