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04/09/2009 - 08h59

EUA rejeitam eleição sem normalização em Honduras

SÃO PAULO - Os EUA indicaram ontem que não devem reconhecer o resultado das eleições presidenciais em Honduras, marcadas para novembro. Se a decisão for formalizada, Washington se une à América do Sul e ao México, que já disseram que não considerarão legítima uma eleição organizadas pelo governo golpista do país.

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi retirado do cargo por militares e enviado para o exílio em 28 de junho. Desde então, o governo interino é presidido por Roberto Micheletti.

Ontem também Washington determinou o fim de um programa de ajuda não humanitária a Honduras. O programa já havia sido suspenso após o golpe e envolve cerca de US$ 30 milhões, segundo estimativas citadas pela imprensa nos EUA. O Departamento de Estado disse que a linha só será retomada após " a volta do governo constitucional e democrático em Honduras " .

Ao tratar das eleições, o Departamento de Estado não foi tão incisivo quanto países sul-americanos. Disse que não reconhecerá o resultado das eleições de novembro a menos que o processo seja livre e aberto. Mas o jornal " The New York Times " veiculou em seu site que, segundo autoridades americanas, " se as coisas continuarem como estão [com Zelaya afastado], o governo Obama não reconheceria o resultado das eleições presidenciais hondurenhas " . Essa posição, porém, não está oficializada.

O Brasil cancelou ontem um acordo de isenção de visto para hondurenhos - incluindo autoridades - que desejam visitar o país. Os países sul-americanos e também o México já manifestaram que não considerarão legítimas as eleições de Honduras se estas forem organizadas e supervisionadas pelo governo interino. O Canadá e os países caribenhos não fecharam questão sobre como tratar o presidente que for eleito. O risco, do ponto de vista diplomático, é que as eleições abram um racha na região. De um lado, países que não reconheçam o resultado da disputa presidencial; do outro, aqueles que talvez considerem que uma eleição pode ser a única forma pacífica de por um fim a crise em Honduras.

A campanha eleitoral no país começou na terça-feira. O cancelamento da ajuda americana e a possível decisão de não reconhecer o vencedor deve forçar os candidatos hondurenhos a pressionar Micheletti a aceitar a volta de Zelaya para garantir que o próximo governo conte com o apoio dos EUA. A decisão de Washington de encerrar o programa de ajuda foi tomada após a Micheletti ter rejeitado uma proposta da Costa Rica de aceitar o retorno de Zelaya à Presidência, mas com poderes limitados. Zelaya foi derrubado em meio a críticas do Congresso e da Suprema Corte contra sua proposta de reforma constitucional que instituiria a reeleição no país. (Valor Econômico, com agências internacionais)

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