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09/09/2009 - 16h20

Análise: DIs têm leve alta após IGP-DI e dados da indústria

SÃO PAULO - Inflação acima do esperado e melhora da atividade no setor industrial estimularam um leve acúmulo de prêmios de risco nos contratos de juros futuros longos nesta quarta-feira.

Ao final do pregão, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido, apontava alta de 0,01 ponto, a 9,73%. O vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,03 pontos, para 10,99%. E janeiro de 2013 projetava 11,71%, valorização de 0,02 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 ficou estável em 8,65%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedeu 0,01 ponto, projetando 8,91%. E outubro de 2009 permaneceu projetando 8,62%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 332.535 contratos, equivalentes a R$ 29,51 bilhões (US$ 16,16 bilhões), volume 13% maior do que o registrado ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 114.230 contratos, equivalentes a R$ 10,11 bilhões (US$ 5,54 bilhões).

O dia começou com a divulgação do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que surpreendeu ao apontar inflação de 0,09% em agosto, contrariando a previsão de deflação. O aumento de preços ficou concentrado no atacado, tanto nos produtos industriais quanto agrícolas. Na visão do analista econômico da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, esses números confirmam que a produção no Brasil está, de fato, em recuperação.

Apesar da variação acima do previsto, o analista explica que o número não tem força para alterar a previsão para os preços ao consumidor, que devem continuar comportados por mais algum tempo. Reforçando tal visão, o IPC, que compõe o índice, recuou de 0,34% em julho para 0,20% no mês passado.

Ainda de acordo com Rostagno, esse comportamento dos preços ao consumidor aumenta a chance de alguma surpresa positiva com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que será divulgado amanhã. O prognóstico da corretora é de inflação oficial de 0,15% em agosto. Pelo lado da atividade, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou aumento das vendas e maior utilização da capacidade instalada em julho. Mas, como notou o Banco Fator, o ritmo dessa recuperação ainda é lento.

As vendas da indústria subiram 3,2% em julho no comparativo mensal, mas ainda estão 9,2% menores se comparadas com igual período do ano passado. Já a utilização da capacidade instalada subiu para 79,9%, contra 79,4% em junho.

Ainda de acordo com o Banco Fator, apesar da melhora, o nível de utilização da capacidade ainda mostra ociosidade quando comparado à série histórica. Fora isso, o ritmo de recuperação parece estar desacelerando na margem, ou seja, a utilização sobe em taxas decrescentes.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realizou a segunda etapa do leilão de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), que ocorreu via troca de títulos. Também foi realizado o resgate antecipado de 70,2 mil NTN-Bs, a R$ 125,92 milhões. Ainda foram resgatadas 1,25 milhão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), a R$ 1,24 bilhão. (Eduardo Campos | Valor Online)

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