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09/09/2009 - 16h11

CNI vê superação da crise na virada de 2009 para 2010

BRASÍLIA - Com todos os indicadores no azul em julho - pela primeira vez no ano -, a indústria de transformação admite a "saída do poço", embora preveja a superação da crise global apenas na virada de 2009 para 2010.

"A indústria está, claramente, em processo de recuperação, mas a crise ainda não foi superada. Isso só vai acontecer quando forem retomados os níveis positivos anteriores à crise", disse o chefe dos economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Ele lembra que "recuperação" significará ultrapassar os níveis elevados de crescimento verificados em 2008. "Se não voltar ao que estava antes será porque os danos foram permanentes", comentou. Mas ele acredita que já existe um aumento de demanda interna e de expansão de crédito suficientes para enxergar a saída da crise entre o fim deste ano e o início do ano que vem.

Dos fatores que ainda exigem cautela, Castelo Branco cita a retração nos investimentos, "que registraram queda drástica com a crise". E a diminuição na demanda externa, agravada para as empresas brasileiras pela valorização do câmbio.

"Muito da queda do faturamento é por causa do real valorizado", disse o economista. Por isso, ele cita que a indústria vê melhora em seus indicadores, "mas ainda não de forma homogênea", dando como exemplo o setor de siderurgia. "Sabe-se que ainda existem muitos fornos desligados", comentou ele.

Os indicadores divulgados hoje pela CNI sobre julho mostraram altas reais (descontada a inflação) de 0,4% nas vendas (dados dessazonalizados), de 0,1% nas horas trabalhadas e estabilidade no emprego, que vinha caindo desde novembro de 2008. Como a ocupação ficou estável, a massa salarial voltou a crescer, em 3,7%, sobre junho deste ano. Outro economista da CNI, Marcelo de Ávila, destaca que para igualar a expansão registrada em 2008, o emprego na indústria teria que crescer 3,5% entre agosto e dezembro. Mesmo assim, ele destaca que "o ajuste no emprego foi menor que na produção". Isso porque o indicador de horas trabalhadas caiu 8,1% entre janeiro e julho deste ano sobre período igual de 2008, enquanto o de emprego recuou 3,1% na mesma comparação.

Destaca-se ainda a melhora no uso da capacidade instalada da indústria, que subiu de 79,4% em junho para 79,9% em julho, no índice dessazonalizado. Castelo Branco comentou que "a ociosidade ainda é elevada", pelo fato de que muitos setores se ressentem com o forte recuo dos investimentos. Para ele, os empresários estão aguardando queda maior no custo final dos empréstimos bancários, para voltar a investir.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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