UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

09/09/2009 - 18h31

Crise mundial pode levar IGP-DI a deflação em 2009

RIO - A redução da atividade econômica mundial causada pela crise financeira pode levar o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) a registrar em 2009 a primeira deflação anual desde a sua criação, em 1944. Para o coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Salomão Quadros, a volta do índice ao terreno positivo em agosto não significa a possibilidade de um choque de preços até o fim do ano, o que favorece a manutenção da deflação no acumulado em 12 meses.

Em agosto o IGP-DI subiu 0,09%, depois de uma queda de 0,64% em julho. No acumulado em 12 meses o índice registra deflação de 0,53%, enquanto a queda de 1,59% observada este ano até agosto é a maior da história para um período de oito meses.

"A redução no nível de atividade global pegou o Brasil e mexeu com os preços de todos os produtos. Não foi uma recessão pequena", frisou Quadros.

Mas o economista acredita que a deflação mais aguda do índice pode ter ficado para trás. A maior razão para a aceleração dos preços em agosto veio do Índice de Preços do Atacado (IPA) - responsável por 60% do IGP-DI - que subiu 0,07% em agosto, contra uma baixa de 1,16% no mês anterior.

Quadros alerta para uma recuperação dos preços industriais no atacado, com uma alta de 0,10% depois de oito quedas seguidas, período em que esse grupo acumulou recuo de 5,74%.

"Um dos fundamentos para acreditar que o índice não vai voltar para o terreno negativo é a virada do IPA industrial", destacou Quadros, lembrando que os preços industriais tendem a ser menos voláteis que os agrícolas, embora estes tenham respondido pela maior parte da aceleração do IPA em agosto.

Quadros ressaltou que grande parte da pressão de preços nos agrícolas veio dos produtos in natura, que geralmente são os mais voláteis. Por isso, o economista minimizou possíveis riscos de choques de preços nos próximos meses.

Entre as principais pressões no atacado, Quadros destacou o tomate, com alta de 50,96%; o mamão, com 29,44%; o açúcar cristal, com 5,62%; os automóveis para passageiros, com 0,81%; e os celulares, que não variaram, mas como tinham caído 4,82% em julho tiveram o maior peso para o avanço dos bens de consumo duráveis.

Dentro dos produtos industriais, Quadros destacou também os materiais para manufaturas, que subiram 1,06%, a primeira alta desde os 1,74% de outubro do ano passado. Como exemplos, o economista citou a alta de 7,97% da amônia; o crescimento de 2,51% do alumínio não ligado em formas brutas e o avanço de 11% do eteno.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou para 0,20% em agosto, contra 0,34% em julho. Para Quadros, o destaque foi a queda do núcleo do IPC - que exclui as maiores variações - para 0,19%, o menor patamar desde os 0,15% de fevereiro do ano passado.

"Isso enfraquece o temor de aceleração da inflação", disse Quadros, lembrando que apenas a alimentação subiu em agosto dentro do IPC, muito por conta da volatilidade dos alimentos in natura, que passaram de -1,16% em julho para +4,25% em agosto, enquanto os alimentos processados passaram de +0,62% para -0,88% na mesma comparação.

(Rafael Rosas | Valor Online)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host