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10/09/2009 - 09h11

Bovespa sobe e dólar cai pelo sétimo dia

SÃO PAULO - A quinta-feira foi morna nas bolsas locais e externas, mas os índices ainda garantiram variação positiva. No câmbio, o dólar fechou em baixa pelo sétimo mês consecutivo e o Banco Central (BC) voltou a fazer duas intervenções no mercado de câmbio. Já os contratos de juros futuros apontaram para baixo, estimulados pela alta menor do que a esperada na inflação de agosto e pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que acenou juros estáveis por um longo período de tempo.

No campo externo o tom foi positivo. O Banco Central Europeu (BCE) teceu comentários otimistas sobre a atividade e falou em retirada de estímulos até o encerramento do ano. Nos Estados Unidos, os agentes comemoraram a redução nos pedidos por seguro desemprego.

Mas o bom humor esbarrou nas notícias de que o Deutsche Bank estaria planejando uma oferta de ações para levantar capital e atender padrões mínimos de reserva de capital.

Com isso, as compras em Wall Street perderam fora e o Dow Jones subiu apenas 0,27%, para 10.415 pontos. O S&P 500 teve acréscimo de 0,48%, a 1.104 pontos. E o Nasdaq se valorizou 0,33%, a 2.236 pontos.

De volta ao mercado local, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiu fechamento em alta. O índice subiu 0,33%, aos 66.624 pontos. O giro financeiro atingiu apenas R$ 4,87 bilhões, A comemoração do Ano Novo Judaico pode ter contribuído para deixar o giro do mercado mais fraco.

No front corporativo, os papéis da Petrobras seguiram como destaque. Os papéis PN da estatal lideraram os giros do dia, com R$ 555,6 milhões, e caíram 0,82%, a R$ 27,60, enquanto as ações ON recuaram 1,91%, a R$ 31,25, com total negociado de R$ 190,4 milhões.

"O mercado segue muito voltado para a Petrobras. Desta vez, os investidores não estão preocupados com a reserva para a oferta, mas com a definição do preço por ação, com uma tentativa de jogá-lo mais para baixo", comentou o sócio-gestor da Humaitá Investimentos, Frederico Mesnik.

Passando para o câmbio, depois de perder o "piso" de R$ 1,75, parece que o mercado de encontrou outra linha limite para a venda de moeda, o R$ 1,720. Pelo segundo dia seguido, o dólar comercial fez mínima a R$ 1,721, mas recuperou o preço. O Banco Central (BC) deu sua contribuição para isso comprando dólar duas vezes no mercado à vista, prática retomada no pregão de quarta-feira, após quatro meses fora de uso.

No fim do pregão, o dólar comercial apontava baixa de 0,11%, a R$ 1,723 na venda. Novamente a menor cotação desde 4 de janeiro, quando a moeda valia 1,720. Essa foi a sétima queda consecutiva. O giro estimado para o interbancário ficou em US$ 2,1 bilhões.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o dólar apontava desvalorização de 0,06%, também negociado a R$ 1,723. O volume caiu de US$ 240,75 milhões para US$ 225,75 milhões.

Para o superintendente de tesouraria do Banco Banif, Rodrigo Trotta, a primeira vista parece que quanto mais o Banco Central compra, mais o dólar cai. Afinal, o preço caiu tanto na quarta-feira quanto ontem, após as atuações duplas no mercado.

No entanto, pondera o especialista, essas atuações podem ter gerado um impacto não mensurável, pois se não fossem elas, certamente o dólar já teria batido em R$ 1,70.

"O leilão propriamente dito não traz efeito no preço. A questão é mais de sinalização. Mostra que o Banco Central está atento ao mercado", disse Trotta. Segundo o especialista, as compras à vista teriam efeito no preço apenas se o BC pagasse cotações acima das praticadas pelo mercado. Mas isso não faz parte do seu histórico de atuação.

Trotta também lembra que a efetividade do leilão à vista depende da boa vontade do mercado. Não adianta o BC anunciar compra se o mercado não quiser vender. Outro instrumento que pode ser utilizado pela autoridade monetária é o swap cambial reverso. Segundo Trotta, com esse instrumento, que, na prática, significa a compra de dólares no mercado futuro, o BC consegue maior impacto, primeiro porque os volumes negociados são maiores e segundo porque ele atua no mercado de derivativos, que sabidamente é quem determina o preço à vista.

No mercado de juros futuros, os contratos operaram em baixa desde o começo do pregão e assim encerraram a jornada da quinta-feira. Contribuindo para a redução nos prêmios de risco, a inflação oficial de agosto, que surpreendeu para baixo, e a ata do Copom, que reforçou a ideia de estabilidade da Selic em 10,75%.

Segundo o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, o recado dado pelo BC na ata é que a taxa básica de juros deve ficar estável, em 10,75%, por um bom tempo.

Na visão de Serrano, no entanto, os juros ainda sobem em algum momento de 2011. E o próprio BC não descartou completamente essa possibilidade ao afirmar, no parágrafo 23, que "caso a inflação não convirja tempestivamente para o valor central da meta estabelecida pelo CMN, a política monetária deve atuar a fim de redirecionar a dinâmica dos preços." Ainda de acordo com Serrano, o documento foi bastante tranquilizador com relação à inflação, já que nomeou vários pontos favoráveis à trajetória de preços, como o ambiente externos desinflacionário, a acomodação da atividade local e núcleos de inflação mais comportados que devem ajudar na convergência de expectativas.

O ponto novo do documento veio no parágrafo 19, onde o BC fez comentários sobre a taxa de juros neutra. Serrano chama atenção à fala do colegiado indicando que a mais pessimista das projeções não teria respaldo em evidências empíricas. A ideia, segundo o economista, é que o juro real aparentemente é menor do que os economistas estimam.

A essa visão de juro neutro menor soma-se à avaliação de que a política monetária está mais eficiente, algo já delineado pelo BC no relatório de inflação do segundo trimestre. "A política monetária é mais eficiente e a taxa real mais baixa", resume o especialista.

Dando respaldo às considerações, o BC listou uma série de "evidências", como o cumprimento das metas para a inflação nos últimos seis anos, alongamento de prazos no mercado financeiro, redução do prêmio de risco cambial e inflacionário e menores juros reais.

Ainda na agenda do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,04% em agosto, variação abaixo das previsões que rondavam 0,10%. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,60% em julho para 4,49%, abaixo, portanto, da meta de inflação de 4,5%.

Segundo Serrano, essa deve ter sido a última leitura tão baixa de IPCA. Agora em setembro, a inflação deve voltar a oscilar entre 0,30% e 0,40%.

Antes do ajuste final de posições, na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,09 ponto, a 11,27%. O de janeiro de 2013 mostrava queda de 0,06 ponto, a 11,57%, e o de janeiro de 2014 recuava 0,02 ponto, 11,52%.

Entre os curtos, outubro de 2010 recuava 0,01 ponto, a 10,62%; novembro de 2010 não mostrava oscilação a 10,63% e janeiro de 2011 projetava 10,64%, também sem variação. Até as 16h10, foram negociados 430.890 contratos, equivalentes a R$ 76,08 bilhões (US$ 44,15 bilhões), o dobro do registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 337.995 contratos, equivalentes a R$ 29,38 bilhões (US$ 17,05 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)
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