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15/09/2009 - 08h19

Bovespa subiu 100% em menos de um ano e dólar saiu a menos de R$ 1,820

SÃO PAULO - A segunda-feira começou com ares de realização de lucros nos mercados brasileiros, mas terminou com nova máxima na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e dólar abaixo de R$ 1,820. Já os contratos de juros futuros tiveram leve acúmulo de prêmios de risco.

A agenda do dia foi pouco relevante, o que levou os agentes a prestar atenção à briga comercial entre China e Estados Unidos. A disputa ganhou forma durante o final de semana, depois que os americanos elevaram tarifas para pneus chineses. Em contrapartida, os chineses anunciaram a intenção de lançar uma investigação envolvendo a venda de frango e autopeças pelos EUA. Ontem pela manhã, a China já recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a tributação imposta pelos americanos. O dia também contou com pronunciamento do presidente americano, Barack Obama, que alertou os bancos sobre a retomada de comportamentos que resultaram na crise financeira. Obama notou ainda que a economia e o sistema financeiro estão saindo de uma especial descendente.

Na Bovespa, o dia começou pautado pelas vendas e o Ibovespa chegou a cair mais de 1%. No entanto, já no final da manhã o mercado começou uma reação que culminou no fechamento do índice aos 58.867 pontos, ou alta de 0,86%. O giro financeiro, no entanto, seguiu baixo, somando apenas R$ 3,99 bilhões, o menor desde 10 de julho.

Tal pontuação supera os 58.535 pontos do dia de 10 de setembro e é a maior desde 31 de julho do ano passado. Com isso, o índice acumula alta de 56,77% em 2009, em dólar o ganho no ano já passa de 100%. Da mínima registrada em outubro do ano passado, aos 29.435 pontos, o Ibovespa já subiu 100%. Para o superintendente da Banif Corretora, Raffi Dokuzian, o Ibovespa caminha para os 60 mil pontos. " Não tem motivo para realização de lucros. Só vai estragar se aparecer algo muito ruim no cenário externo. " Segundo o diretor de investimentos da Victoire Finance Capital, Mohamed Mourabet, estruturalmente, há espaço para o Ibovespa continuar subindo, ajudado, principalmente, pelos papéis de empresas que atuam no mercado doméstico.

Pelas contas de Mourabet, os ativos voltados ao mercado local podem avançar de 20% a 30% até o final do ano. Já os papéis mais relacionados às commodities estariam bem precificados. A visão positiva do diretor tem como base um cenário de crescimento do lucro das empresas acima do esperado. Em Wall Street, os índices também mostraram força e fecharam em terreno positivo. O Dow Jones subiu 0,22%, aos 9.626 pontos. O S & P 500 avançou 0,63%, para 1.049 pontos, e o Nasdaq teve ganho de 0,52%, a 2.091 pontos. No câmbio, depois de diversas tentativas, o dólar comercial fechou abaixo da linha de R$ 1,820, apontada como piso do movimento de baixa. A divisa começou o dia em alta, testando R$ 1,837 na máxima, mas acabou negociada a R$ 1,812 na compra e R$ 1,814 na venda, queda de 0,71%. O preço é o menor desde 5 de agosto, quando a moeda encerrou a R$ 1,810.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa caiu 0,79%, para fechar a R$ 1,8125. O volume na bolsa ficou em US$ 171 milhões, 57% maior que o registrado na sexta-feira. No interbancário, os negócios caíram pela metade, somando US$ 1,7 bilhão.

Na avaliação do analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, a tendência de baixa para o preço da moeda americana permanece intacta. E, desde que confirmado o rompimento do piso de R$ 1,820, a taxa deve passar a trabalhar abaixo de R$ 1,80. " O fluxo continua intenso e o Brasil tem tudo para continuar recebendo esses dólares. Não vejo, pelo menos no curtíssimo prazo, alguma coisa que possa reverter isso " , resumiu.

Sem grandes novidades no front inflacionário ou na atividade, os contratos de juros futuros tiveram um pregão instável, mas de variação pouco significativa nos prêmios de risco. Ao final do pregão, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em outubro de 2009, o mais negociado do dia, marcava alta de 0,01 ponto, a 8,64%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2010 manteve a taxa de 8,65%. E julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre do ano que vem, ganhou 0,02 ponto, a 8,87%.

Entre os vencimentos longos, janeiro de 2011 ganhou de 0,02 ponto, a 9,66%. O vencimento para janeiro de 2012 fechou estável 10,96%. E janeiro de 2013 projetava 11,70%, valorização de 0,01 ponto.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 316.985 contratos, equivalentes a R$ 28,99 bilhões (US$ 15,95 bilhões), volume 42% menor do que o registrado na sexta-feira. O vencimento para outubro de 2009 foi o mais negociado, com 100.565 contratos, equivalentes a R$ 10,01 bilhões (US$ 5,50 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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