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15/09/2009 - 08h03

Jeffrey Sachs vê freio nas exportações, mas é otimista sobre o Brasil

GENEBRA - As exportações do Brasil, China e Índia para os Estados Unidos e União Europeia (UE) não voltarão tão cedo aos níveis anteriores à crise, o que pode alimentar questões sobre a robustez da recuperação das economias emergentes.

Foi o que afirmou o economista Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia (EUA), hoje cedo em Genebra. Mas ele logo ressalvou que continua "sempre otimista" com relação à economia brasileira. Sachs notou que as exportações do país declinaram recentemente. Mas acha que o Brasil pode continuar exportando commodities para a Ásia e continuar crescendo também com mais vendas para a região.

"O Brasil não tem a fragilidade do México, que depende enormemente do mercado dos EUA", observou o economista, que de maneira geral se mostrou relativamente otimista sobre a situação global atual.

Para Sachs, os temores de uma depressão econômica global estão dissipados, graças aos trilhões de dólares de estímulos lançados pelos governos. Mas notou que persistem "nuvens escuras" pesando sobre os EUA e a Europa, com o aumento do desemprego, que por sua vez reduz o consumo.

Nos emergentes, destacou que países como Brasil, a China e Índia foram capazes de se recuperar mais rapidamente da crise econômica global, mas questionou até que ponto essa retomada é robusta, por causa do estado calamitoso de parceiros industrializados, por exemplo.

Na China, o gigantesco programa de estímulo realmente está investindo em muita infraestrutura, mas também acabou provocando especulação no mercado acionário e no setor imobiliário.

Outro problema é o aumento da crise social nos países mais pobres, destacou Sachs, que conversou longamente com jornalistas hoje cedo na sede das Nações Unidas em Genebra.

Ele não poupou críticas aos excessos do mercado financeiro dos EUA e mostrou-se cético de que o governo de Barack Obama consiga realmente endurecer as regulações no setor bancário. Destacou que o lobby do setor financeiro americano é o mais poderoso, com gastos de US$ 3,2 bilhões na última década.

Também criticou a abordagem dos países na negociação de um tratado para combater mudança climática. Ao invés de discutir se os compromissos serão obrigatórios, sugeriu aos negociadores se concentrar em questões mais práticas, por exemplo, sobre transferência de tecnologia mais limpa.

Sachs vê também risco de guerra comercial entre os EUA e a China. "A escalada protecionista está aumentando", afirmou.

(Assis Moreira | Valor Econômico para Valor Online)

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