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18/09/2009 - 18h52

Alta da inflação não indica pressão de preços no curto prazo, diz FGV

RIO - A alta de 0,35% registrada pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) em setembro representou a saída do índice de uma trajetória de três meses seguidos de deflação e mostrou que a recuperação da economia mundial já começa a afetar o comportamento dos preços no Brasil, principalmente no atacado. Mas o coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Salomão Quadros, ressalta que o cenário não apresenta riscos de uma pressão inflacionária no curto prazo.

"Apesar de ter havido uma alta generalizada, está longe de ter uma pressão inflacionária. Acho que não há combustível para que a taxa tenham uma magnitude de 0,70% nos próximos meses", destacou Quadros.

O economista voltou a afirmar que é "bastante possível" que os IGPs - IGP-M e IGP-DI, além do IGP-10, que é calculado entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês corrente - encerrem o ano com taxa negativa e garantiu que, em caso de taxas positivas, elas serão as menores da história.

Nos 12 meses encerrados em setembro, o IGP-10 acumulou deflação de 0,27%, enquanto a menor taxa já registrada pelo índice em um ano fechado foi 1,47%, em 2005, mesmo ano em que o IGP-M registrou 1,21% e o IGP-DI marcou 1,22%.

Em setembro, o avanço do índice foi reflexo da alta de 0,46% observada no Índice de Preços do Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP-10. Entre os estágios dos produtos do atacado, apenas as matérias-primas brutas mantiveram a deflação em setembro, apesar de o resultado de -0,40% ter sido bem mais modesto que os -3,03% registrados em agosto.

A principal razão para a deflação menor nas matérias-primas brutas foi a soja, que subiu 0,75% em setembro, depois de um recuo de 5,92% em agosto. Outros destaques de aceleração vieram da laranja, que passou de -17,13% em agosto para +12,68% em setembro e dos suínos, que pularam de -11,49% em agosto para +5,23% este mês.

Ainda no atacado, os bens de consumo duráveis passaram de -0,76% em agosto para +0,73% em setembro, enquanto os materiais para manufaturas passaram de -0,12% no mês passado para +1,12% agora.

"A recuperação da economia mundial está chegando ao Brasil através desses preços", ressaltou o economista.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-10, ficou praticamente inalterado, com alta de 0,24% em setembro, depois dos 0,26% de agosto. A pressão de alta veio dos alimentos, que subiram 0,62%, depois de uma deflação de 0,02% em agosto.

Em contrapartida, habitação, que tem peso maior que alimentação no IPC, desacelerou para 0,29%, depois de uma alta de 0,66% em agosto. A perda de força do grupo foi puxada pela tarifa de luz, que caiu 0,10% em setembro, depois de uma alta de 3,60% em agosto, que havia sido estimulada pelo reajuste de energia em São Paulo.

(Rafael Rosas | Valor)

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