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18/09/2009 - 16h31

DIs refletem antecipação de aperto monetário

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros de prazo mais dilatado ensaiaram movimento de baixa nesta sexta-feira, mas encerraram o dia próximos da estabilidade, conservando patamares de preço não observados em mais de um mês.

Ao final do pregão na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,02 ponto, a 9,92%, depois de cair a 9,84%. O vencimento para janeiro de 2012 fechou estável a 11,25%. E janeiro de 2013 projetava 11,90%, desvalorização de 0,02 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 fechou estável a 8,66%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, acumulou 0,03 ponto, projetando 9,02%. E outubro de 2009 devolveu 0,01 ponto, a 8,63%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 404.800 contratos, equivalentes a R$ 35,39 bilhões (US$ 19,56 bilhões), queda de 24% sobre registrado ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 157.330 contratos, equivalentes a R$ 13,94 bilhões (US$ 7,70 bilhões). Segundo gestor de renda fixa que prefere não se identificar, a percepção de mercado com relação à atividade mudou no decorrer da semana. A valorização nas bolsas e os indicadores econômicos tanto domésticos quanto internacionais mostram que o momento é de melhora da economia. "Com base nisso, é natural que se espere que parte do estímulo monetário seja retirado", aponta.

De acordo com gestor, o mercado está gravitando entre a possibilidade de consolidação desse cenário atual de que a crise ficou para trás e a chance de um retrocesso nesse ambiente de melhora.

Para o gestor, a probabilidade maior está na primeira opção, ou seja, a economia vai retomar seu curso normal de crescimento. Com isso, o mercado deve antecipar a discussão envolvendo a mudança de política monetária no Brasil para o final do ano ou começo do ano que vem.

"Confirmado esse cenário de melhora, não podemos descartar a possibilidade de uma alta de juros no começo de 2010 ou mesmo no final de 2009".

O especialista explica que se a economia retoma seu nível de atividade, o Banco Central tem que adotar uma postura mais neutra de política monetária. Historicamente, lembra o gestor, a taxa de juros real considerada natural para o Brasil ronda os 7%, o que implica em Selic na casa de 12% ao ano. A questão, agora, segundo o gestor, é tentar se antecipar a essa definição de cenário e ficar posicionado na curva, pois o ajuste, quanto vier, será acentuado tanto para cima quanto para baixo. (Eduardo Campos | Valor)

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