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18/09/2009 - 16h22

Fundos de emergentes seguem captando; A. Latina recebe US$ 168 milhões

SÃO PAULO - Os melhores indicadores econômicos dos Estados Unidos serviram de estímulo à captação de recursos pelos fundos de ações de emergentes durante a terceira semana de setembro. Segundo a EPFR Global, as principais carteiras registraram o ingresso de US$ 199 milhões na semana encerrada dia 16.

O resultado conjunto só não foi melhor em função do saque de US$ 477 milhões registrado pelos Fundos de Ações da China. Os investidores saíram do país depois que o governo chinês iniciou uma disputa comercial com os Estados Unidos em função da taxação de pneus.

Entre as outras categorias, o fluxo de recursos acompanhou a valorização das commodities. Os Fundos de Ações da América Latina levantaram US$ 168 milhões. Os diversificados Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês) captaram US$ 299 milhões, enquanto os Emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) captaram US$ 209 milhões.

Ainda de acordo com a consultoria, a melhora de sentimento com relação à Europa, aliada à alta no preço do ouro e do petróleo deu vida nova aos Fundos de Ações da Rússia, que levantaram US$ 99 milhões no período.

Segundo a EPFR Global, uma das evidências de maior demanda por risco foi o saque de US$ 47,2 bilhões registrado pelos "money market funds", tradicional porto seguro que oferece baixo risco e, portanto, baixo retorno. O saque foi o segundo maior do ano, elevando a quantia perdida em 2009 para US$ 331,9 bilhões. A cifra impressiona, mas representa apenas 10% do capital total desses veículos.

De acordo com a consultoria, boa parte das retiradas também está relacionada ao pagamento trimestral de impostos nos Estados Unidos, mas US$ 5,5 bilhões foram parar em outras categorias de renda fixa, enquanto US$ 3,7 bilhões tiveram como destino os fundos de ações. "A movimentação de recursos durante a semana foi mais pulverizada e representa um voto muito mais real de confiança dos investidores", explicou Cameron Brandt, analista-sênior da EPFR Global, em comunicado.

Entre os países desenvolvidos, destaque para os Fundos de Ações da Europa, que se beneficiaram da melhora de percepção com relação ao setor financeiro da região. Os sinais de recuperação da economia americana também deram nova perspectiva aos exportadores europeus. Levando em conta tais fatores, os investidores enviaram US$ 1,2 bilhão para os fundos europeus, com destaque para os veículos com foco na Alemanha.

Outro mercado que inspirou confiança nos investidores foi o Japão. Apostando em melhores dias para os exportadores e entusiasmados com o novo governo, os gestores mandaram US$ 156 milhões para as carteiras do país. Desde a última semana de junho, a categoria já ganhou US$ 1,18 bilhão.

O fato é que todos se beneficiaram dos melhores indicadores americanos, menos os próprios fundos do país. Mais preocupados com o preço dos ativos e a elevada taxa de desemprego, os agentes continuam reticentes em apostar diretamente no país. Os Fundos de Ações dos Estados Unidos não fecharam a semana no vermelho, mas a captação foi pouco expressiva.

Com os temas crescimento econômico e dólar fraco no radar dos investidores, os fundos setoriais e Commodities levantaram mais de US$ 1 bilhão na semana encerrada dia 16. Essa foi a maior captação semanal desde que a categoria começou a ser acompanhada no primeiro trimestre de 2006. No ano, a soma de recursos levantados por essas carteiras já ultrapassa os US$ 9 bilhões. Outro grande ganhador na semana foi o grupo Imóveis/Construção, que captou US$ 925 milhões. Saldo positivo, também, para as carteiras de Finanças e Energia, que levantaram US$ 299 milhões e US$ 377 milhões, respectivamente.

(Eduardo Campos | Valor)

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