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21/09/2009 - 18h43

Ex-StatoilHydro critica Petrobras como operadora única do pré-sal

RIO - O ex-presidente da StatoilHydro no Brasil, Jorge Camargo, afirmou que a obrigação de que a Petrobras seja operadora única dos blocos que vierem a ser licitados no pré-sal pode aumentar os custos e riscos de exploração da região. Para ele, um ambiente com vários operadores distintos permite competição e cooperação que contribuem para o desenvolvimento de tecnologias, redução de custos e queda do risco dos investidores.

"Essa é a decisão (colocar a Petrobras como operadora única) que mais limita ou até retira o valor do pré-sal no Brasil", disse Camargo, que participou de seminário sobre os riscos e oportunidades no pré-sal, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Camargo, que a partir do ano que vem terá uma posição como conselheiro da companhia norueguesa no Brasil, ressaltou que a estatal, como operadora única, pode ter que explorar áreas independentemente do interesse, seguindo propostas que foram formuladas por outras companhias, de outros consórcios.

"Isso gera um grau de incerteza no investidor que limita e aumenta a incerteza", destacou.

O executivo também criticou o excessivo poder dado à Petro-Sal, estatal que será responsável por gerir as reservas do pré-sal. Para ele, a proposta dá a um sócio que não fará investimentos o poder de vetar propostas comerciais.

"Esse não é o melhor modelo para atrair investimentos", disse. "Na minha experiência, decisões estratégicas, de governo, de controle, de ritmo de produção, têm que ser tomadas acima, fora dos comitês operacionais", acrescentou.

(Rafael Rosas | Valor)

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