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23/09/2009 - 07h46

Bovespa fechou acima dos 61 mil pontos e dólar saiu a menos de R$ 1,80

SÃO PAULO - A terça-feira foi marcada por forte movimentação nos mercados brasileiros. Com ajuda das commodities, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou acima dos 61 mil pontos. O dólar foi a abaixo de R$ 1,80 pela primeira vez em exatamente um ano. E os juros futuros passaram por uma correção depois de seis dias acumulando prêmio de risco. A notícia do dia veio às 16h36. A agência de classificação de risco Moody´s concedeu grau de investimento à economia brasileira. Das três grandes agências, esse era o único selo que faltava, já que em 2008 Fitch e Standard & Poor´s já tinham atestado a capacidade de honrar compromissos do país. A reação do mercado foi positiva, mas por breve espaço de tempo. Na Bovespa, o índice chegou a bater os 62 mil pontos, mas acabou fechando o dia abaixo do patamar registrado antes da notícia. No câmbio, o dólar comercial já tinha encerrado os negócios, mas no mercado futuro o grau de investimento levou o contrato de outubro a testar mínimas na casa de R$ 1,792. Mas só testar mesmo, pois o contrato fechou negociado na linha de R$ 1,794. Segundo o economista da área de renda variável da Máxima Asset Management, Felipe Casotti, o grau de investimento já estava no preço, tanto que o Ibovespa apresentou apenas um rápido movimento de alta seguindo a divulgação da notícia, mas logo depois perdeu fôlego.

Fora isso, diz Casotti, a Moody´s estava atrasada com relação às outras empresas de rating. Fitch e S & P deram a nota no ano passado, antes do agravamento da crise mundial que, entre outras coisas, também afetou a credibilidade das agências de classificação.

Para o gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli, pela reação um pouco tímida do mercado, o impacto da notícia vai ter que ser analisada nos decorrer dos próximos dias.

Puccinelli lembra que antigamente a nota da Moody´s era esperada por grandes fundos de investimento como liberação para compras de ativos ou entrada em países. " Se esses investimentos vierem mesmo, o mercado tende a melhorar. " De volta à Bovespa, apoiado no setor de commodities e com destaque, mais uma vez, para as ações da Vale, o Ibovespa garantiu alta de 0,93%, para encerrar aos 61.493 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 5,84 bilhões. A pontuação supera os 60.928 pontos de segunda-feira e é a maior desde 16 de julho de 2008, quando o índice fechou aos 62.056 pontos. Com isso, o ganho no ano vai a 63,76%. Só em setembro, o índice já subiu 8,86%.

Em Wall Street, o dia também terminou de forma positiva. O Dow Jones teve alta de 0,52%, aos 9.829. O S & P 500 avançou 0,66%, para 1.071 pontos. Já o Nasdaq ganhou 0,39%, a 2.146 pontos. No câmbio, o ambiente mais propício a tomada de risco chamou os vendedores de volta ao mercado depois de três dias de valorização para a moeda americana. Com elevado volume de negócios, o dólar fechou abaixo de R$ 1,80 pela primeira vez desde 22 de setembro do ano passado, quando valia R$ 1,792.

O dólar comercial encerrou negociado a R$ 1,796 na compra e R$ 1,798 na venda, queda de 1,10%. No mês a divisa já perdeu 4,87%. No ano, a queda está em 22,96%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a divisa caiu 0,99%, para fechar, também, a R$ 1,798. O volume ficou em US$ 279,5 milhões, quase três vezes maior que o registrado no pregão anterior. No interbancário os negócios somaram US$ 2,8 bilhões, US$ 2 bilhões a mais do que o movimentado na segunda-feira.

Para Puccinelli, da Terra Futuros, há espaço para a moeda americana cair mais um pouco frente o real, mas há um grande suporte na linha de R$ 1,792.

O mercado de juros futuros passou por correção de baixa depois de seis dias acumulando prêmio de risco. As taxas chegaram a ensaiar nova valorização, mas, conforme explicou o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, a ideia de que a puxada de alta já estava exagerada passou a ganhar força no decorrer do pregão. De acordo com Campos Neto, a maior inclinação da curva está apoiada na melhora dos indicadores de atividade, mas os contratos já davam conta de elevação na Selic a partir de janeiro de 2010.

Na visão do economista, um aumento pontual de juros antes do que se espera até seria justificado. " Mas o ajuste não seria tão forte quanto a curva chegou a precificar. " Ao final da sessão na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,12 ponto, a 10,03%, depois de subir a 10,21%. O vencimento para janeiro de 2012 caiu 0,11 ponto, a 11,36%. E janeiro de 2013 projetava 11,99%, desvalorização de 0,09 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 perdeu 0,03 ponto, para 8,68%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, devolveu 0,10 ponto, projetando 9,08%. E outubro de 2009 perdeu 0,01 ponto, a 8,64%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 761.240 contratos, equivalentes a R$ 68,78 bilhões (US$ 37,84 bilhões), alta de 15% sobre registrado na sessão anterior. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 285.650 contratos, equivalentes a R$ 25,27 bilhões (US$ 13,90 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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