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24/09/2009 - 13h01

Bovespa perde os 60 mil pontos e dólar vale mais de R$ 1,80

SÃO PAULO - As vendas se acentuam e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perde os 60 mil pontos pela primeira em sete pregões. O índice esboçou reação no começo dos negócios, mas as compras não resistiram à virada de humor no mercado externo. Por volta das 13 horas, o Ibovespa caía 1,03%, a 59.874 pontos, com giro financeiro em R$ 2,52 bilhões. Com tal pontuação, o índice passa a acumular perda de 1,37% na semana, mas no mês a alta ainda é de 5,99%. Em Wall Street, o Dow Jones caía 0,64%, enquanto S & P 500 e Nasdaq perdiam 1,05% e 1,36%, respectivamente. O gatilho para as vendas foi a divulgação dos dados sobre a venda de imóveis usados nos EUA. Contrariando o previsto foi registrada uma queda de 2,7% nas revendas em agosto. Na avaliação da sócia da Oren Investimentos, Daniella Marques, desde que o Brasil recebeu o grau de investimento da agência Moody´s o mercado ensaia um movimento de realização de lucros mais acentuado.

Para a especialista, dois fatores podem servir de estímulo a esse ajuste de preços. O primeiro deles é o cronograma de oferta de ações. Os lançamentos se intensificam na semana que vem e devem continuar durante todo o mês de outubro. A questão é simples: há uma sobre-oferta de papéis em curto espaço de tempo. Um bom exemplo dado pela especialista é que só a distribuição do Santander pode movimentar mais de R$ 15 bilhões. Somam-se a isso as ofertas da Rossi, PDG, Multiplan e Tivit, que juntas batem cerca de R$ 3,5 bilhões. Isso tudo nas próximas duas semanas.

Mesmo contando com o apetite do estrangeiro, o fluxo de recursos tem de ser muito forte para absorver essa quantidade de papéis. Como parâmetro, a especialista aponta que, no acumulado do ano, o saldo estrangeiro soma R$ 17 bilhões. A cifra é recorde, mas basta lembrar que apenas uma das ofertas programadas já fica próxima desse valor.

" Em uma janela de um mês e meio, a oferta de novas ações supera a entrada de estrangeiros no ano todo. Temos disponibilidade de caixa, mas temos que ver aonde vai se acomodar toda essa oferta " , diz.

O segundo ponto, que estimula as vendas no mercado local, é a correção de preço das commodities. O petróleo caiu forte ontem, e hoje já perde mais de 4%, para a casa dos US$ 65 o barril de WTI. Para quem gosta de análise técnica, a commodity rompeu a média móvel dos últimos cem dias, o que é visto como sinal de novas perdas.

Dentro do Ibovespa, Petrobras PN lidera o volume, caindo 0,99%, para R$ 33,92, acompanhando a cotação dos metais, Vale PNA desvalorizava 1,36%, a R$ 36,06. Entre as siderúrgicas, Gerdau PN desvalorizava 1,82%, a R$ 23,62.

Bancos também apontam para baixo. Itaú Unibanco PN recuava 1,79%, a R$ 32,89, Bradesco PN devolvia 1,12%, a R$ 32,65. Destoando, Banco do Brasil ON defendia leve alta de 0,03%, a R$ 29,27.

Alguns papéis relacionados ao mercado doméstico escapam das vendas. Pão de Açúcar PNA subia 2,44%, a R$ 49,48, ALL Logística unit ganhava 1,74%, a R$ 13,38, e Lojas Renner ON tinha alta de 0,67%, a R$ 29,79. Entre as construtoras, Rossi ON acentuava as perdas de ontem, devolvendo 3,38%, a R$ 13,97, e Cyrela ON caía 1,82%, a R$ 23,17. No câmbio, a virada de humor nas bolsas e a queda de preço das commodities puxa o dólar de volta para cima do R$ 1,80. Depois de cair a R$ 1,781 pela manhã, as compras passaram a ganhar força e, há pouco, o dólar comercial subia 0,95%, a R$ 1,805 na venda. (Eduardo Campos | Valor)

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