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24/09/2009 - 14h09

Saída da crise eleva déficit externo mas atrai investimentos, diz BC

BRASÍLIA - A recuperação da atividade econômica em curso levou o Banco Central (BC) a prever um déficit maior nas transações correntes com o exterior para 2010. Em contrapartida, a saída mais rápida do Brasil da crise global aponta aumento do apetite dos investidores estrangeiros, que devem aportar volume mais elevado de dólares e cobrindo as necessidades de financiamento do país.

Mesmo sem ter ainda como identificar se já há interesse específico dos estrangeiros em investir na exploração do petróleo da camada do pré-sal, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse hoje que há sondagens "alvissareiras" para o investimento externo direto (IED).

Foi o que levou o BC a anunciar que o IED deve subir de US$ 25 bilhões neste ano para US$ 38 bilhões em 2010. A elevação da dívida brasileira a grau de investimento, agora também pela agência de ratings Moody´s, está contabilizada nessa projeção.

"O apetite está muito grande", disse ele, informando que há interesse em vários setores, porém com grande foco na indústria mecânica, metalúrgica, petróleo e álcool e comércio varejista.

Ao divulgar hoje as primeiras projeções para as contas públicas externas no ano que vem, Lopes destacou que a conta corrente terá um déficit mais elevado, de US$ 29 bilhões. Para 2009, a projeção de déficit foi elevada de US$ 15 bilhões para US$ 18 bilhões.

"Evidentemente que o resultado para este ano reflete o arrefecimento da crise e a economia voltando à normalidade em 2010", comentou Lopes.

Tal perspectiva aumenta a saída de lucros e dividendos das multinacionais para US$ 22,3 bilhões, ante os US$ 17 bilhões esperados antes para 2009, uma vez que de janeiro a agosto essas remessas já somaram US$ 14,5 bilhões. Ano que vem, o envio de lucros e dividendos deve subir a US$ 26 bilhões, prevê o BC, que somente em setembro até hoje já registra saída de US$ 1,080 bilhão do país por meio desta rubrica.

Ainda na visão de reaquecimento da atividade, a autoridade monetária ampliou a projeção de superávit na balança comercial, cuja estimativa passou de US$ 20 bilhões para US$ 27 bilhões neste ano, com expectativa de saldo positivo de US$ 19 bilhões para 2010.

Outro ponto importante de saída de dólares são as viagens internacionais. Lopes destaca que "o aumento na renda média do brasileiro", a despeito da crise, estimula esses gastos. De modo que as viagens devem ter o déficit elevado de US$ 3 bilhões para US$ 4,5 bilhões em 2009. Em 2010, esta conta deve apresentar saldo negativo de US$ 5 bilhões.

No conjunto dos serviços e rendas, a projeção para o déficit teve um aumento de US$ 10 bilhões em 2009, devendo ficar em US$ 48 bilhões. Lopes destacou que além dos outros indicadores, há aí um efeito da conta de juros, que saiu de US$ 8,6 bilhões para US$ 9,7 bilhões.

Ele destacou que além de ter aumento nas despesas, a queda generalizada das taxas de juros externas, em função da crise mundial, reduziu as receitas com a aplicação das reservas internacionais no mercado internacional. A projeção dessas receitas caiu de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,7 bilhões no ano. O aumento dos juros externos é justificado pela elevação da divida externa do país, já que a crise reduziu as taxas de refinanciamento de débitos das empresas brasileiras. De janeiro a agosto, a taxa de rolagem ficou em 78%, com o BC mantendo a projeção de 75% para este ano, e de 100% para 2010.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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