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28/09/2009 - 12h48

Construtoras do Madeira vão rever custo com pessoal

SÃO PAULO - Os custos com pessoal das construtoras ligadas às obras das usinas hidrelétricas do Rio Madeira vão crescer consideravelmente, cerca de R$ 100 milhões para cada uma delas. Isso porque em mediação na Justiça do Trabalho de Rondônia, na semana passada, as empresas concederam reajustes e novos benefícios aos funcionários das obras. A principal categoria, os chamados oficiais, terão um reajuste de mais de 35%.

A negociação foi aberta depois de uma greve que paralisou completamente a construção das duas usinas por três dias, há cerca de duas semanas. Na semana passada, os trabalhadores da usina de Jirau ficaram ainda mais dois dias parados. As duas obras empregam hoje cerca de 11 mil funcionários. No caso da usina de Jirau, o custo maior pode ser repassado à concessionária Energia Sustentável que tem um contrato de preço unitário com a Camargo Corrêa. Isso significa que os custos extras podem ser todos repassados. Já em Santo Antônio, por ser um contrato chamado EPC, liderado pela Odebrecht, que é responsável pelas obras civis, fornecimento e engenharia, esse custo não deve ser repassado.

O contrato com o consórcio Santo Antônio era de R$ 10 bilhões no início das obras. O investimento total da usina está estimado hoje em R$ 13,5 bilhões. Já a concessionária Energia Sustentável ainda divulga um investimento total de R$ 9 bilhões, mas não é um valor corrigido.

Nenhuma das duas construtoras quis falar sobre o assunto. Mas segundo dados da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Rondônia, haverá aumento de salário para todas as categorias. Os chamados oficiais - que são os pedreiros, carpiteiros, eletricistas, montadores, encanadores, apontadores, auxiliares de topografia e pintores - terão seu salário reajustado de R$ 717 para R$ 900 e ainda terão uma cesta alimentação de R$ 80. As demais funções terão reajustes de 7% além dos 8% já concedidos entre abril e maio. Os trabalhadores de outros estados também terão agora direito à visita de familiares, com tudo pago pelas empresas. Além disso, está previsto ainda uma participação nos Lucros e Resultados (PLR) equivalente a um salário mais 36%. O plano de assistência médica terá que ter cobertura de 100% para internação, pronto-atendimento e cirurgias. Haverá ainda um adicional de horas extras de 60% de segunda a sábado. Domingos e feriados será de 100%. (Josette Goulart | Valor)

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