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29/09/2009 - 12h54

Declínio do dólar já é menos acentuado

SÃO PAULO - O dólar chegou a R$ 1,701 na mínima do dia, mas compradores apareceram no mercado e a desvalorização da moeda americana já é menos acentuada. Há pouco, o dólar comercial era transacionado a R$ 1,705 na compra e R$ 1,707 na venda, desvalorização de 0,17%. Já no mercado futuro, o contrato de outubro, negociado na BM&F, também declinava 0,17%, a R$ 1,706. Passada a capitalização da Petrobras, cuja liquidação financeira ocorre hoje, fica a pergunta: o mercado de câmbio interno vai se voltar um pouco mais à instabilidade no exterior ou continuará com uma dinâmica própria, pressionado pelos juros altos oferecidos pelo Brasil e pela questão do fluxo? O gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor, Rodrigo Nassar, aposta na segunda hipótese. "O viés para o dólar continuará sendo de queda, principalmente em decorrência dos juros altos. A cotação só não está caindo mais porque o mercado teme que o Banco Central interfira mais fortemente", analisa. Para ele, se o governo não atuar, os investidores seguirão testando o piso de R$ 1,70. "O mercado vai segurar o preço momentaneamente, mas depois pressionará para baixo e testará até onde vai a paciência do BC", opina. Nassar acredita que o dólar, pressionado pela capitalização da estatal petroleira, não recuou mais porque o governo cumpriu sua promessa e enxugou o excedente de dólares no mercado. Ontem, a autoridade monetária retomou a rotina de dois leilões de compra de dólares no mercado à vista. Na segunda-feira, o BC frustrou a expectativa dos agentes ao realizar apenas um leilão no meio da tarde. Antes da realização de leilões, os investidores tentam puxar o preço do dólar para cima, na tentativa de vender a moeda a um preço interessante. Hoje já foi anunciado um leilão, pouco depois das 12h. Com relação a medidas adicionais que podem ser tomadas para impedir o derretimento da moeda americana, depois de ameaçar utilizar o Fundo Soberano, o governo passou a falar de reajuste na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros em bolsa e em renda fixa. Ontem, porém, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou um aumento na alíquota logo depois das eleições. Entretanto, ele não descartou a possibilidade de que o governo adote a medida.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também admitiu a possibilidade de reajuste no IOF, além de citar o swap cambial reverso, instrumento que, na prática, significa a compra de dólares no mercado futuro. Na opinião de Nassar, o reajuste na alíquota do IOF causará um grande desconforto ao investidor estrangeiro. Além disso, ele lembra que a decisão do governo de cobrar IOF de 2% na entrada de capital estrangeiro, medida que entrou em vigor em outubro do ano passado, não impediu a entrada de dólares no país. Na agenda do dia, o Bacen divulgou que o setor público brasileiro consolidado apresentou superávit primário de R$ 5,222 bilhões em agosto, abaixo do projetado pelo mercado. O Banco Fator, por exemplo, apostava em um superávit de R$ 6,2 bilhões.

Por sua vez, o déficit nominal ficou em R$ 10,476 bilhões em agosto, resultado que veio melhor do que a expectativa de parte dos analistas. Porém, em igual período do ano passado, o déficit tinha sido mais enxuto, de R$ 8,162 bilhões. No exterior, as bolsas americanas estão em queda. Há pouco, os índices Dow Jones e S&P 500 tinham retração de mais de 3%. O problema das dívidas soberanas de países da zona do euro voltou a pautar os negócios no mercado acionário europeu. Instantes atrás, o londrino FTSE-100 tinha queda de 0,5%, enquanto o CAC-40, de Paris, e o DAX, de Frankfurt, declinavam cerca de 0,8%. Apesar disso, o euro ganhava do dólar, minutos atrás, cotado a US$ 1,3596. As commodities estão em queda. Há pouco, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, tinha perda de 0,65%.

(Karin Sato | Valor)
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